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'Кровавый водопад' в Антарктиде: ученые раскрывают тайну явления, открытого в 1911 году

Исследование, опубликованное в научном журнале Nature Geoscience, раскрывает тайну Кровавого водопада, одного из самых интригующих природных явлений Антарктиды, где соленая вода ярко-красного цвета стекает по поверхности озера Бонни в антарктическом регионе Земли Виктории.

'Кровавый водопад' в Антарктиде: ученые раскрывают тайну явления, открытого в 1911 году

TL;DR

  • Кровавый водопад в Антарктиде, известный своей ярко-красной соленой водой, стекающей с ледника Тейлора, теперь объяснен учеными.
  • Красный цвет обусловлен окислением железа, содержащегося в воде, при контакте с воздухом.
  • Высокая соленость воды позволяет ей оставаться жидкой при температуре до -7°C.
  • Вода происходит из древних морских вод, изолированных под ледником тысячи лет назад, и содержит уникальные микроорганизмы.
  • Это явление служит моделью для изучения экстремальных форм жизни и потенциальной жизни на других планетах, таких как спутники Юпитера и Сатурна.

Um estudo publicado na revista científica Nature Geoscience revela o mistério das Cataratas de Sangue, um dos fenômenos naturais mais intrigantes da Antártida, que escorrem água salgada em tom de vermelho-vivo sobre a superfície do Lago Bonney, na região antártica da Terra de Vitória.

As cataratas foram descobertas em 1911 pelo geólogo Thomas Griffith Taylor, na geleira que posteriormente receberia seu nome: Geleira Taylor. Desde então, o local tem servido como modelo para estudar formas de vida extremas (inclusive as que poderiam existir em outros planetas), devido à presença de microrganismos e vestígios biológicos primitivos na água.

A Geleira Taylor abriga antigos microrganismos marinhos isolados sob o gelo há centenas de milhares de anos, afirmam as pesquisas, no sistema subterrâneo alimentado pela salmoura.

De acordo com o novo estudo, que analisou 167 amostras de água, sedimentos, gelo e ar coletadas nos Vales Secos de McMurdo, os microrganismos existentes ali incluem diatomáceas, haptófitas, dinoflagelados e ciliados, característicos de ambientes marinhos, e até 9,34% dos eucariotos identificados nas Cataratas de Sangue também estão presentes no oceano próximo.

Segundo os pesquisadores, os resultados reforçam a hipótese de que a salmoura tenha origem em água do mar aprisionada sob a geleira durante um período em que o nível dos oceanos era mais elevado e a cobertura de gelo era menor.

Já a coloração da água, que dá nome ao fenômeno, é avermelhada devido a uma reação química envolvendo ferro.

Como a água do interior da geleira permanece isolada do oxigênio atmosférico, com grandes quantidades de ferro dissolvido, a salmoura que emerge pelas fraturas no gelo sofre oxidação ao entrar em contato direto com o ar. A reação produz óxidos de ferro, os mesmos compostos responsáveis pela ferrugem, que conferem à água sua coloração vermelho-escura.

E, devido ao nível de salinidade extremamente elevado da salmoura, a água que escorre permanece em estado líquido mesmo a temperaturas de –7 °C.

De acordo com o estudo, diversos organismos da geleira apresentam genes relacionados à fotossíntese e possuem mecanismos de reparo do DNA como resposta ao estresse ambiental provocado pela exposição ao frio, à alta salinidade e à baixa disponibilidade de nutrientes.

Isso faz das Cataratas de Sangue um dos ambientes naturais mais estudados por pesquisadores interessados nos limites da vida na Terra.

As Cataratas têm uma queda-d’água de cerca de 15 metros de altura, alimentada por canais subterrâneos preenchidos por salmoura, capazes de transportar água líquida sob uma espessa camada de gelo devido à combinação entre alta pressão, salinidade e o calor liberado durante processos de congelamento parcial.

Em geral, a Antártida concentra aproximadamente 70% da água doce do planeta em forma de gelo. Ambientes altamente salinos e isolados existentes sob parte dessas geleiras são considerados análogos naturais de oceanos subterrâneos presentes em luas geladas do Sistema Solar, como Europa, de Júpiter, e Encélado, de Saturno.