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«Невидимое сокровище» Амазонки: более 200 миллиардов долларов богатств, которые могут изменить историю человечества

Согласно исследованию группы по климатическим исследованиям Zero Carbon Analytics, тропические леса мира обладают экономическим потенциалом, оцениваемым в диапазоне от...

«Невидимое сокровище» Амазонки: более 200 миллиардов долларов богатств, которые могут изменить историю человечества

TL;DR

  • Тропические леса могут содержать лекарства на сумму от 382 миллиардов до 1,176 триллиона долларов.
  • Амазонка имеет наибольший потенциал, оцениваемый примерно в 214,7 миллиарда долларов.
  • До 75% противораковых препаратов, обнаруженных с 1940 по 2014 год, происходили из природных продуктов.
  • 99% химических соединений растений не были проанализированы на терапевтический потенциал.
  • Вырубка лесов с 2001 года поставила под угрозу около 86 миллиардов долларов потенциальной ценности лекарств.

As plantas respondem por cerca de 70% dos compostos naturais conhecidos, mas estima-se que 99% de seus compostos químicos jamais tenham sido analisados quanto ao potencial terapêutico

  • Levantamento da Zero Carbon Analytics calcula que florestas tropicais possam valer entre US$ 382 bi e US$ 1,176 tri em medicamentos ainda não descobertos.
  • A Amazônia detém o maior potencial, cerca de US$ 214,7 bi associados às plantas com flores, superando Sudeste Asiático e Bacia do Congo.
  • Até 75 % dos fármacos contra o câncer (1940‑2014) derivaram de produtos naturais; entre 2014‑2024, 56 de 579 novos medicamentos (≈1 em cada 10) tiveram origem similar.
  • Como 99 % dos compostos vegetais permanecem inexplorados, o valor supera a receita combinada das 15 maiores farmacêuticas em 2025, e US$ 22 bi já estão em risco desde 2001.

Segundo um levantamento do grupo de pesquisas climáticas Zero Carbon Analytics, as florestas tropicais do mundo têm um potencial econômico estimado entre US$ 382 bilhões e US$ 1,176 trilhão em medicamentos ainda não descobertos pela ciência.

O cálculo representa o potencial de futuras descobertas farmacêuticas a partir de recursos encontrados na natureza, que sustentam a inovação na indústria e desempenham papel central, sobretudo, no desenvolvimento de medicamentos contra o câncer.

Segundo o grupo, até 75% dos medicamentos contra o câncer descobertos entre 1940 e 2014 derivavam de produtos naturais ou de compostos inspirados em moléculas de organismos vivos.

Entre 2014 e 2024, dos 579 novos medicamentos aprovados globalmente, 56 faziam parte dessa estatística, o equivalente a aproximadamente um em cada dez.

As plantas respondem por cerca de 70% dos compostos naturais conhecidos, mas estima-se que 99% de seus compostos químicos jamais tenham sido analisados quanto ao potencial terapêutico, o que faz com que o valor de opção comercial das florestas permaneça elevado e amplamente subexplorado.

Segundo os autores, esse valor é superior à receita anual combinada das 15 maiores empresas farmacêuticas do mundo em 2025.

A Amazônia é a floresta tropical que reúne a maior parcela estimada desse potencial desconhecido, com cerca de US$ 214,7 bilhões em valor comercial potencial associado às plantas com flores da região, seguida pelas florestas do Sudeste Asiático (US$ 106,9 bilhões) e pela Bacia do Congo (US$ 38,7 bilhões).

No entanto, o desmatamento já colocou parte significativa desse patrimônio biológico em risco.

Desde 2001, estima-se que US$ 22 bilhões em potencial farmacêutico da Amazônia tenham sido colocados em risco. No mundo, cerca de US$ 86 bilhões em valor potencial associado à descoberta de novos medicamentos já ficaram ameaçados em consequência do desmatamento ocorrido entre 2001 e 2024.

A importância econômica da biodiversidade já pode ser observada em diversos medicamentos atuais, como é o caso do Enhertu, desenvolvido a partir de uma estrutura molecular inspirada na camptotecina, substância encontrada na árvore chinesa conhecida como happy tree e amplamente utilizada no tratamento do câncer de mama metastático.

Em 2024, as vendas globais do medicamento alcançaram US$ 3,8 bilhões, com expectativa de chegar a quase US$ 14 bilhões em 2030.

Outro exemplo é o Trodelvy, também inspirado na mesma molécula natural, além dos medicamentos Kadcyla e Elahere, derivados de compostos originalmente isolados de um arbusto africano.

Além da coleta física de organismos, a pesquisa farmacêutica depende cada vez mais das chamadas informações digitais de sequência (Digital Sequence Information – DSI), um armazenamento digital do código genético de plantas, fungos, bactérias e animais utilizado por laboratórios para desenvolver e testar medicamentos mesmo sem acesso ao organismo original.

O Brasil já conta com um dos marcos legais mais abrangentes sobre acesso ao patrimônio genético, com espécies registradas no Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado (SisGen).

Quando um produto comercial é desenvolvido a partir desses recursos, a legislação prevê a repartição de benefícios, normalmente o correspondente a 1% da receita líquida anual obtida com a exploração econômica, destinada às comunidades tradicionais envolvidas ou ao Fundo Nacional para Repartição de Benefícios. Em 2024, o sistema registrou mais de 16 mil acessos ao patrimônio genético aberto.