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май 26, 2026

Одно из самых редких животных в мире: этот бразильский остров является домом для удивительного и неизвестного вида

Вид, численность которого оценивается менее чем в 50 особей во всем мире, обитает в бразильском парке экологического сохранения: Государственном парке Серра-ду-Табулейру.

Одно из самых редких животных в мире: этот бразильский остров является домом для удивительного и неизвестного вида

TL;DR

  • Вид Cavia intermedia, насчитывающий менее 50 особей, обитает только на бразильских островах Молекес-ду-Сул.
  • Низкая генетическая изменчивость является основной угрозой для выживания этого вида, делая его уязвимым к болезням, изменению климата и инвазивным видам.
  • Парк Серра-ду-Табулейру также является домом для недавно открытого вида амфибий Brachycephalus tabuleiro.
  • Парк признан ЮНЕСКО Основной зоной Резервата Биосферы Атлантического леса, играя ключевую роль в качестве экологического коридора.

O roedor de pequeno porte se tornou um exemplo raro da especiação insular entre os mamíferos brasileiros, processo em que populações isoladas evoluem de maneira separada por milhares de anos até adquirirem características próprias.

Uma espécie com menos de 50 indivíduos estimados em todo o mundo habita um parque de preservação ecológica brasileiro: o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, maior unidade de conservação integral de Santa Catarina, localizado no município de Palhoça.

Criado em 1975, com área de 84.130 hectares, o parque foi demarcado para a proteção de ecossistemas essenciais da Mata Atlântica e de mananciais que abastecem a Grande Florianópolis e o litoral sul catarinense.

Lá vive o Cavia intermedia, o mamífero com a menor dispersão geográfica e o menor número de indivíduos conhecidos do planeta. A espécie habita as Ilhas Moleques do Sul, arquipélago do litoral catarinense protegido pelo parque estadual.

Cavia intermedia, um dos 20 pequenos mamíferos mais ameaçados do mundo.
Créditos: Wikipedia

O Cavia intermedia é um preá descendente da espécie Cavia magna, naturalmente encontrada em áreas úmidas do sul da América do Sul. O isolamento geográfico da espécie brasileira levou ao surgimento de uma variedade única, adaptada especificamente ao arquipélago em que hoje vive.

O roedor de pequeno porte se tornou, então, um exemplo raro da especiação insular entre os mamíferos brasileiros, o processo em que populações isoladas evoluem de maneira separada por milhares de anos até adquirirem características próprias.

Segundo o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, a espécie é, hoje, uma dentre os 20 mamíferos de pequeno porte mais ameaçados do mundo, classificada como Criticamente em Perigo (CR) em todos os níveis: Estadual, Nacional e Global.

De acordo com a bióloga Luthiana Carbonell dos Santos, do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), uma das principais ameaças à sobrevivência do preá-de-moleques-do-sul, como foi apelidado, é a baixa diversidade genética da espécie.

Como têm cruzado apenas entre si ao longo de todo esse processo evolutivo, explica a bióloga, os preás tendem a apresentar menor resistência a impactos externos e uma variabilidade genética reduzida.

Na prática, isso significa que eventos relativamente pequenos, como doenças, efeitos das mudanças climáticas, incêndios ou introdução acidental de espécies invasoras, podem causar impactos devastadores sobre a população dos preás.

No arquipélago, o desembarque sem autorização prévia do Instituto do Meio Ambiente é terminantemente proibido, a fim de evitar a contaminação ambiental e a introdução de espécies exóticas no local.

Além do preá-de-moleques-do-sul, o parque também ganhou destaque científico recentemente com a identificação do Brachycephalus tabuleiro, nova espécie de anfíbio descoberta por pesquisadores na região. O animal, do gênero Brachycephalus, é conhecido pelos chamados “sapinhos-pingo-de-ouro”, anfíbios minúsculos característicos da Mata Atlântica brasileira.

Esses anfíbios possuem habitat restrito a determinados morros, serras ou fragmentos específicos de floresta úmida, e novas descobertas continuam ocorrendo dentro da unidade de conservação, que é extensa e abriga um dos biomas mais devastados do Brasil.

A Mata Atlântica reúne ecossistemas diversos, entre florestas de vegetação densa, restingas, manguezais, dunas, campos de altitude e, como é o caso do parque catarinense, ilhas oceânicas.

A relevância ecológica da região levou a UNESCO a reconhecer o parque como Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, já que ele funciona como um dos principais corredores ecológicos do sul do bioma.