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май 31, 2026

Военные США в бразильских фавелах нуждались бы в спасении от BOPE, утверждает эксперт

Военные США в бразильских фавелах нуждались бы в спасении от BOPE, утверждает эксперт, комментируя решение Трампа в отношении PCC и Comando Vermelho.

Военные США в бразильских фавелах нуждались бы в спасении от BOPE, утверждает эксперт

TL;DR

  • Эксперт по безопасности Роберто Учоа заявил, что американские военные нуждались бы в спасении от BOPE при возможном вмешательстве в бразильские фавелы.
  • Решение администрации Дональда Трампа признать PCC и Comando Vermelho международными террористическими организациями критикуется за игнорирование национального суверенитета и реалий.
  • Эксперт подчеркивает, что реальная борьба с организованной преступностью в Бразилии сосредоточена на финансовой блокировке, отслеживании оружия и деструктуризации связей, а не на силовом противостоянии.
  • Классификация группировок как террористических углубляет напряженность в дипломатии и создает риск внешнего вмешательства под предлогом борьбы с терроризмом.

O presidente dos EUA, Donald Trump. Militares dos EUA em favela brasileira teriam de ser resgatados pelo Bope, diz especialista - Donald Trump - Foto: BRENDAN SMIALOWSKI / AFP)

Especialista em segurança Roberto Uchôa afirmou que militares dos EUA precisariam ser resgatados pelo BOPE se interviessem nas favelas do Rio.

A declaração veio após o governo de Donald Trump classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais.

A medida, apoiada por políticos como o senador Flávio Bolsonaro, entra em vigor em 5 de junho, conforme o Departamento de Estado dos EUA, liderado por Marco Rubio.

Uchôa alerta que a proposta de intervenção ignora a soberania nacional, a inteligência policial e a experiência brasileira no combate ao crime organizado.

Militares dos EUA em favela brasileira teriam de ser resgatados pelo Bope se uma eventual intervenção americana contra facções criminosas virasse realidade, afirmou o especialista em segurança pública Roberto Uchôa. A declaração foi feita após a decisão do governo de Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais.

Para Uchôa, a medida esbarra em uma realidade que Washington desconhece: o território brasileiro. Ao comentar a decisão, articulada pela extrema direita brasileira e celebrada por políticos como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o especialista usou a ironia para dar a dimensão do abismo entre os gabinetes americanos e as ruas do Rio de Janeiro.

Ao comentar a medida, articulada pela extrema direita brasileira e celebrada por políticos como o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Uchôa usou a ironia para dar a dimensão do abismo entre os gabinetes americanos e as ruas do Rio de Janeiro.

“Se os militares americanos entrarem no Complexo da Maré, teriam de ser resgatados pelo Bope”, cravou o especialista.

Oficializada pelo Departamento de Estado dos EUA, atualmente comandado por Marco Rubio, a designação entra em vigor no dia 5 de junho.

Militares dos EUA em favela e o fim da bravata americana

A força da fala de Uchôa está menos na ironia e mais no diagnóstico operacional e político. A tentativa de vender uma solução militar estrangeira para o problema das facções ignora a soberania nacional, a inteligência policial e a complexa experiência brasileira no enfrentamento ao crime organizado.

O exemplo de favelas cariocas como a Maré e o Alemão coloca a retórica de Trump no chão. Não se trata de negar a gravidade ou o poderio do PCC e do CV, mas de expor o delírio de imaginar que soldados americanos teriam capacidade real de operar em comunidades dominadas por dinâmicas locais tão singulares que até mesmo o Estado brasileiro enfrenta dificuldades para acessar sem pesado planejamento e articulação.

A imagem de militares dos EUA em favela também resume o problema político da medida: a segurança pública brasileira não cabe em decreto estrangeiro, nem pode ser tratada como palco para bravata eleitoral. O que Uchôa expõe é o limite concreto da retórica de força usada por Trump e seus aliados no Brasil.

Espetáculo político vs. Inteligência financeira

Uchôa também desmonta a narrativa de que o governo estaria inerte diante das facções. O especialista destaca que há um trabalho robusto e silencioso em curso no Brasil, focado onde o crime realmente sente: no bolso.

O enfrentamento real, que fica de fora do espetáculo promovido por Trump e seus aliados no Brasil, concentra-se em:

  • Asfixia financeira: Bloqueio de bens e contas ligadas à lavagem de dinheiro;
  • Rastreamento de arsenal: Monitoramento da rota de armas de grosso calibre;
  • Desarticulação estrutural: Foco nas conexões políticas e logísticas que sustentam as cúpulas das facções, não apenas no confronto de rua.

Essa é a fronteira que separa a política pública de Estado da bravata eleitoral usada como munição no debate público.

Soberania e sistema financeiro na mira

A classificação do PCC e do CV como terroristas abre, na verdade, uma perigosa frente de tensão diplomática. A medida desloca o debate da cooperação policial para o terreno da ingerência internacional.

Na prática, a canetada de Washington cria um instrumento que permite aos Estados Unidos aplicar sanções e pressionar autoridades, bancos, empresas e estruturas do Estado brasileiro sob o pretexto elástico da “guerra ao terror”. É este risco de tutela externa que vem sendo aprofundado na cobertura da Revista Fórum sobre a ofensiva contra a soberania do Brasil.

A frase de Uchôa, portanto, serve como um lembrete cirúrgico: Washington pode fabricar decretos para consumo da extrema direita, mas definitivamente não conhece o chão que ameaça pisar.