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июнь 1, 2026

Pix под угрозой? Платежная система может пострадать из-за решения США классифицировать PCC и CV как террористов

Решение США классифицировать PCC и CV как террористов вызывает тревогу в правительстве Лулы относительно риска косвенных санкций против банков, финтех-компаний и Pix.

Pix под угрозой? Платежная система может пострадать из-за решения США классифицировать PCC и CV как террористов

TL;DR

  • США внесли бразильские группировки PCC и Comando Vermelho в список террористических организаций, что может повлечь за собой косвенные санкции против бразильских банков и финтех-компаний, использующих Pix.
  • Санкции могут привести к усилению мер по борьбе с отмыванием денег, блокировке операций в долларах и давлению со стороны иностранных инвесторов на бразильские финансовые учреждения.
  • Правительство Бразилии считает unilateral меры США необоснованными и подчеркивает, что организованная преступность в стране не связана с политическими или идеологическими мотивами международного терроризма.
  • Pix является суверенной инфраструктурой Бразилии, и правительство намерено защищать ее от внешнего давления и интересов иностранных корпораций.
  • Повседневное использование Pix для граждан остается без изменений, но существует риск для макроэкономической стабильности и способности Бразилии поддерживать свою финансовую инфраструктуру.

O Pix pode se tornar alvo indireto de sanções internacionais após a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O alerta acendeu na equipe econômica do governo Lula: o risco não é o bloqueio do aplicativo para a população, mas a aplicação de sanções severas contra bancos, fintechs e instituições financeiras brasileiras cujas transações sejam associadas, pelas autoridades norte-americanas, à movimentação financeira das facções.

A entrada de PCC e CV no regime rigoroso de sanções dos EUA cria um gargalo de compliance. Instituições sujeitas à jurisdição norte-americana podem ser forçadas a rejeitar, congelar ou relatar operações financeiras brasileiras, gerando um efeito dominó sobre o sistema financeiro nacional.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou como “despropositada” a possibilidade de punição a bancos brasileiros pelo uso criminoso da ferramenta de pagamentos instantâneos.

“O que pode acontecer, de maneira despropositada, é que cheguem informações nos EUA de que facções estão usando o Pix e organizações bancárias sofram punições. Isso não tem cabimento”, afirmou Durigan à GloboNews.

Durigan reiterou o caráter de infraestrutura nacional e pública da ferramenta. “O Pix é muito mal compreendido por uma série de empresas que perderam a situação de intermediário. O Pix é uma infraestrutura soberana do Brasil”, destacou o ministro. A defesa enfática ocorre no momento em que, como mostrou a Fórum, a articulação da família Bolsonaro em Washington coloca o Pix em perigo.

Como a decisão dos EUA sobre PCC e CV afeta bancos brasileiros

A raiz da crise diplomática e financeira está na determinação do Departamento de Estado dos EUA, que designou o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como grupos terroristas globais. A partir de 5 de junho, as facções integram oficialmente a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras de Washington.

O impacto jurídico é imediato. O regulamento federal norte-americano exige o bloqueio absoluto de ativos e transações financeiras ligadas a esses grupos quando passarem por instituições dos EUA.

Embora o Pix seja operado de forma soberana pelo Banco Central do Brasil, a rede bancária nacional depende de conexões globais. Transações atribuídas às facções no Brasil podem disparar alertas em bancos correspondentes internacionais. O resultado prático para as fintechs e bancos brasileiros seria o aumento brutal nos custos de controle contra lavagem de dinheiro, bloqueios de operações em dólar e pressão de investidores estrangeiros.

Governo Lula vê ameaça à soberania e defende inovações nacionais

O Palácio do Planalto agiu rápido para isolar a narrativa norte-americana. Em nota oficial, o governo Lula reiterou seu compromisso implacável no combate a facções e milícias, mas rechaçou frontalmente a medida unilateral de Washington. A inteligência brasileira pontua que o crime organizado no país opera por lucro territorial e tráfico, distanciando-se das motivações políticas ou ideológicas que caracterizam o terrorismo internacional.

O texto do governo adverte que imposições externas sem negociação bilateral podem sabotar a cooperação policial e atingir diretamente “nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX”.

O Brasil já havia apresentado ao Departamento de Estado dos EUA, em abril, um protocolo de cooperação focado em inteligência financeira, descapitalização no exterior e combate ao tráfico internacional de armas — principal combustível logístico das facções. A Fórum detalhou a reação do governo Lula, que enxergou na classificação terrorista uma ameaça direta à soberania do país, impulsionada por lobby da extrema direita brasileira nos EUA.

O Pix pode ser bloqueado nos Estados Unidos?

A ofensiva contra o Pix ocorre em múltiplas frentes. Conforme apurado pela Fórum, Donald Trump e Flávio Bolsonaro já miravam o sistema financeiro do Brasil com a desculpa da designação terrorista.

Essa pressão se soma a um inquérito comercial agressivo. Em 2025, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) abriu a investigação da Seção 301, questionando as práticas brasileiras de pagamentos eletrônicos no Federal Register. O argumento velado era de que o ecossistema público do Banco Central prejudicava o monopólio de corporações de cartão de crédito americanas. A Fórum revelou com exclusividade o plano de Lula para blindar o Pix frente ao governo Trump.

Para o cidadão comum, o uso diário do Pix segue intacto e sem restrições. O Banco Central garante o funcionamento contínuo do Sistema de Pagamentos Instantâneos.

A verdadeira disputa está nos bastidores macroeconômicos. O que está em jogo não é a suspensão do aplicativo no celular dos brasileiros, mas a capacidade do Brasil de manter e expandir uma infraestrutura financeira soberana e inovadora, resistindo à instrumentalização de sanções internacionais, interesses de corporações estrangeiras e sabotagem política.