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Трамп объявляет "экономическую войну" Ирану
Трамп объявляет экономическую войну Ирану, угрожает торговым партнерам ответными мерами и усиливает давление на Тегеран на фоне конфликта.

TL;DR
- Президент США Дональд Трамп объявил "экономическую войну" Ирану, направленную на "беспрецедентную" изоляцию.
- Трамп пригрозил "огромными экономическими последствиями" странам, поддерживающим торговые и финансовые отношения с Тегераном.
- Иранские СМИ назвали заявление Трампа "преувеличенным" и "безумным", заявив, что страна "давно усовершенствовала методы" обхода санкций.
- Гражданское население Ирана является основной жертвой, сталкиваясь с 66% инфляцией в год, и есть опасения, что новые санкции усугубят экономический кризис.
- На военном уровне Иран предупредил, что любая помощь американской стороне будет рассматриваться как участие в американских военных действиях.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (19) uma “guerra econômica” contra o Irã, descrevendo a medida como a “operação econômica mais devastadora já empreendida contra qualquer país”. Em publicação na Truth Social, Trump estendeu as ameaças a qualquer nação que mantenha relações comerciais ou financeiras com Teerã, sem detalhar punições específicas. O anúncio ocorre quando o conflito entre Washington e Teerã se aproxima do sexto mês sem perspectiva de solução, em meio a tensões militares crescentes e à ausência total de diálogo diplomático.
“Hoje anuncio a operação econômica mais devastadora já empreendida contra qualquer país. Será uma guerra econômica e um isolamento em uma escala sem precedentes”, escreveu Trump na Truth Social. O presidente americano definiu o próprio anúncio como o “Dia D Econômico” e afirmou que a ofensiva se concentrará em erradicar práticas como contrabando de petróleo, linhas de câmbio financeiro, transferências de dinheiro, operação de casas de câmbio, registros de navios e uso de empresas de fachada. “Tudo precisa parar agora”, declarou.
O anúncio não veio do nada. Quase uma semana antes, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, já havia sinalizado que os EUA imporiam ao Irã um isolamento econômico “como o mundo nunca viu antes”. Trump não forneceu detalhes sobre as punições específicas nem citou países-alvo, mas o tom da publicação deixou claro que a estratégia é de pressão máxima, sem abertura para negociação. Na terça-feira (18), o próprio Trump havia declarado que “não há diálogo nem negociações em andamento, nem tampouco estão previstas, com a República Islâmica do Irã”, deixando apenas uma fresta vaga ao afirmar que talvez, “em algum momento”, as conversas pudessem ser retomadas.
Ameaças a parceiros comerciais e o ‘Dia D Econômico’
A extensão das ameaças vai além do Irã. Trump foi explícito ao advertir que “qualquer país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais ofereçam qualquer tipo de tábua de salvação ao Irã enfrentará, por sua vez, tremendas consequências econômicas”.
O presidente pediu ainda que todos os aliados dos Estados Unidos trabalhem para “isolar” e “derrotar” a “ameaça iraniana”, tentando cooptar parceiros numa campanha de pressão coletiva cujos contornos práticos permanecem indefinidos.
O problema concreto dessa estratégia está na geografia do comércio iraniano. A China é o principal parceiro comercial do Irã, com exportações de US$ 22 bilhões e importações de US$ 15 bilhões registradas em 2022. A Índia ocupa o segundo lugar, com comércio bilateral de US$ 1,34 bilhão apenas nos primeiros dez meses de 2025. Alemanha, Coreia do Sul e Japão, todos aliados formais de Washington, também figuram entre os grandes parceiros comerciais de Teerã.
A ameaça de sanções extraterritoriais coloca esses países numa posição incômoda e levanta dúvidas sérias sobre a viabilidade real do isolamento prometido por Trump, especialmente sem que o governo americano tenha apresentado qualquer mecanismo concreto de aplicação.
Reação iraniana e o contexto de tensões
Teerã não recuou. As agências de notícias iranianas Tasnim e Fars classificaram as declarações de Trump como continuidade de uma campanha fracassada de “pressão máxima”, descrevendo-as como “exageradas” e “delirantes”. Segundo a Tasnim, as sanções anteriores não conseguiram mudar o comportamento do Irã, e o país “há muito aperfeiçoou métodos para burlar restrições ao comércio exterior e financeiras”. A Fars foi mais direta: afirmou que Washington “nunca apresenta resultados concretos” e que o discurso do “colapso iminente” iraniano se repete sem se concretizar.
No plano militar, o tom é igualmente desafiador. O general Ali Abdollahi, chefe das Forças Armadas iranianas, advertiu que “qualquer assistência ou facilitação prestada ao exército agressor americano equivale a uma participação nas operações militares americanas”, numa ameaça direcionada aos países do Golfo.
As tensões na região permanecem elevadas: após ataques israelenses e americanos contra o Irã em 28 de fevereiro, Teerã respondeu com bombardeios contra países vizinhos aliados de Washington e bloqueou o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de hidrocarbonetos. Segundo o Financial Times, fontes ligadas ao regime iraniano avaliavam a possibilidade de atacar instalações americanas em países do sudeste europeu, como a Bulgária, e cabos submarinos de fibra óptica no Estreito de Ormuz, em caso de escalada do conflito.
Impacto humanitário e a ‘Economia de Resistência’
A retórica de “isolamento devastador” tem um destinatário que raramente aparece nos comunicados de Washington: a população civil iraniana. Segundo o Valor Econômico, autoridades iranianas disseram à Reuters nesta semana que temem que um novo pacote de sanções possa agravar a crise econômica do país e incitar uma nova onda de protestos, como a ocorrida no início do ano. Os números que sustentam esse temor são contundentes: a taxa de inflação anual do Irã chegou a 66% em julho, com os preços ao consumidor 87,9% mais altos do que no ano anterior e a inflação dos alimentos atingindo 128% no mesmo período, de acordo com o Valor Econômico.
Diante desse quadro, a estratégia iraniana de longo prazo tem sido a chamada “Economia de Resistência”, que promove a autossuficiência em setores estratégicos como defesa, bens de produção industrial, eletricidade, alimentos e infraestrutura energética. Especialistas ouvidos pela Sputnik ressaltaram que os esforços dos EUA e de seus aliados para derrubar o setor petroquímico iraniano parecem ter fracassado justamente por causa dessa política de autossuficiência.
A capacidade iraniana de contornar restrições comerciais e financeiras não elimina o sofrimento da população, mas complica o cálculo de Washington: a “guerra econômica” prometida por Trump pode aprofundar a crise humanitária sem necessariamente dobrar o regime.