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Осужденный за попытку фемицида, Серимедо работает с Эдуардо Болсонару и Трампом против выборов в Бразилии, сообщает сайт

Международная ультраправая сеть с филиалами в Бразилии, Аргентине, Гондурасе, США и Израиле вызвала тревогу во Дворце Планальто

Осужденный за попытку фемицида, Серимедо работает с Эдуардо Болсонару и Трампом против выборов в Бразилии, сообщает сайт

TL;DR

  • Во Дворце Планальто обеспокоены возможностью дезинформационной атаки со стороны международной сети крайне правых, которая может повлиять на бразильские выборы.
  • В сети состоят Эдуардо Болсонару, аргентинский стратег Фернандо Серимедо, а также оперативники, связанные с Дональдом Трампом, и израильские чиновники.
  • Эта сеть использует методологию экспорта избирательных стратегий, включая технологии, персонал и нарративы, для влияния на выборы в разных странах.
  • Фернандо Серимедо, ранее распространявший информацию о предполагаемых фальсификациях на выборах в Бразилии в 2022 году, также участвовал в выборах в Гондурасе, используя опыт и технологии, связанные с кампанией Трампа.
  • Предполагается, что Гондурас мог служить «лабораторией» для отработки методов, которые могут быть использованы в других странах, включая Бразилию, для подрыва доверия к избирательной системе.

A rede internacional e o alerta no Planalto

A existência de uma rede internacional de extrema direita com atuação em diferentes processos eleitorais acendeu um alerta no Palácio do Planalto sobre o risco de uma ofensiva de desinformação se tornar um dos principais instrumentos de ingerência externa na eleição brasileira de outubro, segundo apuração de Cleber Lourenço e Jamil Chade.

Para integrantes do alto escalão do governo brasileiro, as conexões entre esses atores e o papel das plataformas digitais estão hoje entre os principais riscos de uma eventual ação coordenada para favorecer Flávio Bolsonaro na eleição presidencial, conforme a mesma apuração.

As articulações mapeadas envolvem Eduardo Bolsonaro, o estrategista argentino Fernando Cerimedo e operadores ligados a Donald Trump, atravessando Brasil, Argentina, Honduras, Estados Unidos e Israel. A dimensão geográfica da rede não é acidental: ela reflete uma metodologia de exportação de estratégias eleitorais, com tecnologia, pessoal e narrativas circulando entre países para influenciar disputas locais. Eduardo Bolsonaro aparece ainda como interlocutor escolhido pelo ministro de Assuntos da Diáspora de Israel, Amichai Chikli, para receber e divulgar no Brasil informações produzidas pelo governo israelense, ampliando o alcance dessas conexões para além do eixo americano.

O papel de Cerimedo e as conexões com Bolsonaro e Trump

Fernando Cerimedo ganhou projeção no Brasil após a eleição presidencial de 2022, quando realizou a transmissão “Brasil fue robado”. Utilizando dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral, levantou suspeitas sobre diferentes modelos de urnas e questionou o resultado da disputa vencida por Luiz Inácio Lula da Silva.

A apresentação foi incorporada pelo bolsonarismo à ofensiva contra a confiabilidade do sistema eleitoral, e a atuação do argentino acabou analisada nas investigações sobre a tentativa de golpe, embora a Procuradoria-Geral da República não tenha encontrado elementos suficientes para denunciá-lo por participação no plano de ruptura institucional.

Quatro anos depois, Cerimedo continua próximo da família Bolsonaro. Em evento realizado neste ano, Eduardo Bolsonaro o levou ao palco e defendeu sua atuação em 2022, afirmando que Cerimedo teve “coragem” ao denunciar supostas irregularidades e que o trabalho havia sido produzido a partir de dados do próprio TSE.

Na mesma ocasião, Cerimedo revelou detalhes de sua atuação internacional e agradeceu a Brad Parscale, ex-chefe da campanha digital de Trump, afirmando que Parscale forneceu tecnologia e equipe para suas operações políticas na América Latina. O agradecimento público a Parscale é o elo mais concreto entre a rede bolsonarista e o aparato digital que sustentou o trumpismo nos Estados Unidos.

Honduras como laboratório e o “Hondurasgate”

No mesmo evento em que dividiu o palco com Eduardo Bolsonaro, Cerimedo contou detalhes de sua participação na eleição de Honduras. O argentino afirmou ter trabalhado com Andy Rivas, apresentado como amigo e sócio, para o grupo político de Nasry “Tito” Asfura, em uma disputa marcada por forte tensão política contra o grupo da família do ex-presidente Manuel Zelaya. A campanha foi celebrada por Cerimedo como uma vitória, e o relato detalha uma operação com estrutura, tecnologia e pessoal importados da rede trumpista.

A articulação hondurenha contou ainda com Dick Morris, consultor político americano e aliado de Trump, que atuou como intermediário entre a campanha de Asfura e o entorno de Trump, apresentando a candidatura como parte de uma disputa regional contra a esquerda latino-americana.

A presença de Morris, operador com experiência na Casa Branca e trânsito consolidado na política americana, dimensiona o nível de sofisticação da rede. Parte dos países envolvidos nessas articulações aparece no chamado Hondurasgate, caso baseado em 37 áudios atribuídos ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández sobre operações internacionais de influência política, o que sugere que Honduras funcionou como um laboratório para métodos que podem ser replicados em outros contextos eleitorais.

Implicações para as eleições brasileiras

Para o alto escalão do governo brasileiro, o padrão identificado nas atuações de Cerimedo não é circunstancial. A experiência do estrategista argentino em desacreditar eleições, tanto no Brasil em 2022 quanto em Honduras, aponta para uma metodologia replicável: apropriar-se de dados públicos e legítimos para construir narrativas de fraude, minar a confiança no sistema eleitoral e criar condições para contestar resultados. O risco, na avaliação do governo, é que essa metodologia seja acionada novamente nas eleições de outubro, desta vez com infraestrutura tecnológica mais robusta e conexões internacionais mais consolidadas.

Para integrantes do alto escalão do governo brasileiro, as conexões entre esses atores e o papel das plataformas digitais estão hoje entre os principais riscos de uma eventual ação coordenada para favorecer Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.

A articulação transnacional exposta pela apuração de Cleber Lourenço e Jamil Chade coloca em evidência um problema que vai além da disputa eleitoral imediata: a soberania do processo democrático brasileiro diante de uma rede com recursos, experiência e motivação para interferir em seu resultado. A exposição pública desses elos, das figuras envolvidas e da metodologia de desinformação é o primeiro passo para que instituições e sociedade possam reconhecer e enfrentar a ameaça antes que ela se materialize nas urnas.