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май 19, 2026
Как война в Иране обнажила раскол БРИКС перед лицом США
Анализ показывает, что, несмотря на экономический вес, внутренние разногласия мешают БРИКС действовать как единый блок против западного империализма на Ближнем Востоке

TL;DR
- Военная операция США и Израиля против Ирана обнажила геополитические слабости БРИКС.
- Блок, представляющий половину человечества и 40% мирового ВВП, проявил почти полное молчание в ответ на призывы Ирана о дипломатической поддержке.
- Основная причина инерции группы — глубокое расхождение в интересах безопасности между ее членами, что привело к отсутствию консенсуса для совместного заявления.
- Страны БРИКС разделились на три группы: одни осудили нападение, другие сосредоточились на ответных действиях Ирана, а третьи заняли позицию дипломатического балансирования.
- Несмотря на отсутствие единой платформы, некоторые члены БРИКС сыграли решающую роль в посредничестве между США и Ираном.
- БРИКС пока не функционирует как механизм коллективной безопасности или единая платформа против империализма, но остается важным форумом для экономического сотрудничества и реформы глобального управления.
A recente ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã expôs as limitações geopolíticas dos BRICS. Apesar de representar metade da humanidade e 40% do PIB mundial, o bloco manteve um silêncio quase total diante dos apelos iranianos por apoio diplomático.
Em artigo publicado originalmente no jornal Le Soir e republicado pelo Esquerda.net, o sociólogo François Polet analisa como esse episódio frustrou, ao menos neste aspecto, as expectativas de que a aliança atuaria como um contrapeso imediato à ordem mundial dominada pelo Ocidente.
O motivo central para a inércia do grupo, segundo o pesquisador, é a profunda divergência de interesses de segurança entre seus membros. Durante a reunião de ministros das Relações Exteriores em Nova Délhi, não houve consenso para uma declaração conjunta. Isso ocorreu porque países como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita também foram alvos de retaliações iranianas, sob a justificativa de abrigarem bases dos EUA, tornando impossível para essas nações endossarem um documento que condenasse apenas Washington e Tel Aviv.
BRICS: o peso das alianças e o fator Trump
A análise de Polet aponta que os BRICS se dividiram em três frentes distintas. Brasil, Rússia, China e o próprio Irã condenaram o ataque israelo-americano. Em contrapartida, Índia, Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes focaram suas críticas na resposta iraniana, influenciados por alinhamentos estratégicos com os EUA e rivalidades regionais.
Um terceiro grupo, formado por África do Sul, Indonésia e Etiópia, optou por um jogo de equilibrismo diplomático, evitando condenações formais a qualquer um dos lados.
“A ausência de denúncias dos bombardeamentos israelo-americanos é, no entanto, considerada por muitos na Indonésia, o outro grande país do movimento de não alinhamento, como um desvio em relação à política externa ‘livre e independente’ do país – causado pela lealdade do presidente Prabowo Subianto a Trump e Netanyahu, ilustrada, entre outras coisas, pela presença inicial da Indonésia no Conselho de Paz de Trump”, aponta o sociólogo.
O pesquisador avalia que o bloco “não serviu nem de plataforma de denúncia do imperialismo ocidental, nem de mecanismo de segurança coletiva, nem de fórum para a busca de uma solução entre as partes em guerra”, ainda que faça uma ressalva.
“Vários dos seus membros – Arábia Saudita, Egito e China – desempenharam, no entanto, um papel decisivo nas reuniões que impulsionaram o Paquistão como mediador das negociações entre os Estados Unidos e o Irão… para grande desapontamento de Nova Deli, que vê o seu rival ganhar credibilidade na cena mundial”, pontua.
Para o sociólogo, os BRICS ainda não funcionam como um mecanismo de segurança coletiva ou uma plataforma unificada contra o imperialismo. O entrelaçamento contraditório de alianças internacionais e o peso da influência de Donald Trump limitam a projeção do grupo como um bloco geopolítico coeso. No entanto, Polet ressalta que a aliança não está condenada à obsolescência, pois continua sendo um fórum vital para a cooperação econômica e a busca por reformas na governança global.