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Хуэй Кайянь: кто такой миллиардер, осужденный за преступления против экономики Китая
Хуэй Кайянь был самым богатым человеком в Китае. Но расследование выявило его роль в кризисе с чрезмерным кредитным плечом Evergrande, крупнейшей компании страны.

TL;DR
- Основатель China Evergrande Хуэй Кайянь приговорен к пожизненному заключению и конфискации всего личного имущества.
- Суд признал его виновным в мошенничестве с привлечением средств, незаконном присвоении государственных депозитов, мошенничестве с ценными бумагами, хищении средств и взяточничестве.
- China Evergrande Group оштрафована на 8,82 млрд юаней, а ее дочерняя компания Evergrande Real Estate Group — на 7 млрд юаней.
- Дело связано с манипуляциями финансовой отчетностью компании, которая раздувала активы и доходы, скрывая пассивы.
- Evergrande накопила долг свыше 300 млрд долларов до дефолта в 2021 году.
- Более 50 человек, связанных с компанией, также получили приговоры, включая пять топ-менеджеров.
Hui Ka Yan, conhecido na China como Xu Jiayin (许家印), passou em poucos anos de um dos homens mais ricos do país a condenado à prisão perpétua.
O fundador da incorporadora China Evergrande foi sentenciado nesta quinta-feira (20) por um tribunal de Shenzhen, no sul da China, após ser considerado culpado de uma série de crimes financeiros relacionados à gestão da companhia.
A Justiça determinou ainda o confisco de todos os seus bens pessoais. A China Evergrande Group recebeu uma multa de 8,82 bilhões de yuans, enquanto a Evergrande Real Estate Group, principal subsidiária doméstica da companhia, foi multada em outros 7 bilhões de yuans (R$ 5 bi). Ao todo, as duas empresas terão de pagar 15,82 bilhões de yuans, cerca de R$ 12 bi
A sentença representa o desfecho judicial de uma das maiores quedas empresariais da história recente da China. A Evergrande chegou a ser a maior incorporadora do país em vendas e transformou seu fundador em um dos homens mais ricos da Ásia. Em 2017, a fortuna de Hui chegou a aproximadamente US$ 45 bilhões.
Os crimes de Hui Ka Yan
A condenação não ocorreu simplesmente porque a Evergrande quebrou. O processo criminal tratou de práticas específicas atribuídas a Hui e à administração da empresa.
Entre as acusações estavam fraude na captação de recursos, absorção ilegal de depósitos públicos, fraude envolvendo valores mobiliários, desvio de recursos e suborno. Hui havia se declarado culpado de oito acusações durante o julgamento realizado em abril.
Um dos pontos centrais do caso foi a manipulação das informações financeiras da Evergrande. Segundo as autoridades, a empresa inflou seus ativos e receitas e ocultou parte de seus passivos, criando uma bolha financeira.
A companhia teria inflado sua receita em dezenas de bilhões de dólares nos anos anteriores ao colapso. Em 2024, Hui já havia sido banido permanentemente do mercado de valores mobiliários chinês e multado por irregularidades financeiras relacionadas à empresa.
Um dia a bolha estourou e o severo crash do mercado imobiliário na China acabou transformando a economia do país. A dimensão do problema ajuda a explicar a severidade da punição. A Evergrande acumulou uma dívida superior a US$ 300 bilhões antes de entrar em default em 2021.
A companhia acabou sendo ordenada a liquidar seus ativos, em um processo que ainda envolve credores na China e no exterior.
Hui Ka Yan não foi o único executivo punido. Mais de 50 pessoas ligadas à empresa também receberam sentenças, incluindo cinco altos executivos que foram condenados a penas de seis a 18 anos de prisão.
De símbolo do crescimento a símbolo da especulação
A trajetória da Evergrande acompanhou uma das maiores transformações econômicas da China.
Fundada em 1996, a empresa cresceu junto com a urbanização acelerada do país. O modelo de negócios dependia de uma expansão contínua: adquirir terrenos, lançar novos empreendimentos, vender imóveis antecipadamente e utilizar crédito para financiar novos projetos.
Esse mecanismo permitiu que incorporadoras chinesas crescessem rapidamente. Também produziu uma enorme acumulação de dívida.
A Evergrande, liderada por Hui Ka Yan, levou esse modelo a uma escala extrema. Antes de entrar em crise, o grupo atuava não apenas no mercado imobiliário, mas também em setores como veículos elétricos, turismo, saúde, finanças e esportes.
O crescimento, entretanto, dependia de acesso constante a financiamento e da expectativa de valorização dos imóveis. O problema é que os investimentos não se garantiam com as fraudes administrativas dentro da empresa.
A política de “casas para morar, não para especular”
A prisão de Hui Ka Yan também precisa ser entendida dentro de uma mudança mais ampla na política econômica chinesa.
Em 2016, Xi Jinping estabeleceu uma orientação que se tornaria uma das principais diretrizes para o setor: “casas são para morar, não para especular” (房子是用来住的,不是用来炒的).
A frase passou a orientar políticas destinadas a conter a alta excessiva dos preços e o uso do mercado imobiliário como instrumento de investimento.
Em 2020, Beijing adotou as chamadas “três linhas vermelhas”, estabelecendo limites para o endividamento das incorporadoras.
A norma regulamentava a alavancagem assumida pelas incorporadoras, limitando seu endividamento com base nas seguintes métricas: dívida – caixa, dívida – patrimônio líquido e dívida – ativos.
A intenção era reduzir a alavancagem e impedir que empresas do setor continuassem tomando empréstimos em ritmo considerado insustentável.
A Evergrande desrespeitava todas as relações: tinha mais dívidas do que fluxo de caixa, patrimônio ou ativos.
O default de 2021 da Evergrande fez com que os veículos ocidentais acreditassem que a economia chinesa iria colapsar. Apesar de quedas no mercado imobiliário, a economia do país se manteve em ritmo de crescimento acelerado.
A mensagem de Beijing aos bilionários
O caso Hui Ka Yan também se encaixa nas diretrizes do governo chinês contra práticas consideradas corruptas ou capazes de produzir riscos financeiros sistêmicos.
A mensagem não é necessariamente que ser rico ou administrar uma grande empresa seja crime. O que Beijing procura deixar claro é que o tamanho de uma empresa ou a riqueza de um cidadão não isentam ninguém das regras financeiras e econômicas do Estado.
No caso da Evergrande, a questão ganhou uma dimensão ainda maior porque a expansão privada baseada em dívida passou a representar um risco para todo o sistema.
A crise imobiliária chinesa levou Beijing a evitar a quebra ou reestruturação de grandes incorporadoras. Isso, contudo, não significaria que seus acionistas e controladores, responsáveis pelas fraudes, fossem protegidos.
A estratégia busca separar a proteção da economia e dos compradores de imóveis da proteção dos empresários responsáveis pela alavancagem excessiva.
Em março deste ano, uma análise da Reuters apontou que a política de redução da dívida imobiliária havia conseguido diminuir em 17% o endividamento do setor, embora o processo também tenha provocado custos econômicos significativos e uma prolongada queda do mercado imobiliário.
Na China de hoje, a mensagem é direta: bilhões de dólares não garantem imunidade quando a expansão empresarial envolve fraude, corrupção e riscos considerados graves para a economia nacional.