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Алсеу Валенса, наш озорной парень, отмечает 80-летие
ПЕРНАМБУКАНО, из ОЛИНДЫ, карнавалов и сахарных плантаций, стал визитной карточкой собственного штата в постоянном режиме поэзии и праздника

TL;DR
- Алсеу Валенса отмечает 80-летие.
- В 1970-х годах лейблы просили его записывать "sambinha", но он добился успеха, смешивая северо-восточные ритмы с роком.
- Альбом "Cavalo de Pau" (1982) с песней "Morena Tropicana" принес ему миллион проданных копий.
- Валенса известен своими яркими сценическими выступлениями, включающими цирковые элементы.
- Он является создателем "Festival de Águas Claras" и его выступление там было названо величайшим за всю историю фестиваля.
- Его композиторский талант и влияние индийских мантр, наряду с северо-восточной музыкой и роком, создают уникальное звучание.
- Песня "Anunciação" стала его знаковым хитом.
Pernambucano, de Olinda, dos carnavais e canaviais, virou cartão postal do próprio estado em modo permanente de poesia e festa
Alceu Valença completou 80 anos e relembrou sua chegada ao Rio de Janeiro em meados da década de 1970.
No show de lançamento do álbum “Cinco Sentidos” (1981), ele relatou que antes as gravadoras pediam “sambinha no estilo Antônio Carlos & Jocafi”.
O auge de sua carreira ocorreu em 1982 com o álbum “Cavalo de Pau”, que incluiu “Morena Tropicana” e vendeu 1 milhão de cópias.
Valença fez parte da geração nordestina que misturou cordéis, xotes e xaxados ao rock, guitarras elétricas e sintetizadores.
É ele mesmo quem conta que quando chegou no Rio de Janeiro, em meados da década de 70, corria as gravadoras e ouvia: “você não tem nenhum sambinha no estilo Antônio Carlos & Jocafi?” Na época, a dupla baiana tocava nos quatro cantos do país, sobretudo com o megassucesso “Você abusou”.
Orgulhoso e já bem famoso, Alceu Valença completava a frase: “hoje, se vocês forem na gravadora vão perguntar: ‘você não tem nada no estilo de Alceu Valença?” Isso foi contado por ele no show de lançamento do álbum “Cinco Sentidos”, de 1981. E isto levando em conta que o auge mesmo do seu sucesso viria apenas no ano seguinte, com o álbum “Cavalo de Pau”, que trazia, entre outras “Morena Tropicana”, dele e Vicente Barreto.
Alceu, um artista único e que jamais fez meia concessão aos produtores das grandes gravadoras, chegava, com este álbum, a um milhão de cópias vendidas. Não havia e nem houve a seguir nada parecido em nossa música. Ele fazia parte de uma geração de nordestinos transgressores, cabeludos, que misturavam os cordéis, xotes e xaxados ao rock, às guitarras elétricas, sintetizadores. Vale destaque aqui para o seu inseparável guitarrista Paulo Rafael, morto em 2021.
Mago dos palcos
Somado a isso tudo, ele sempre foi um mago dos palcos. Com elementos circenses, gestos largos e uma energia eletrizante, uma apresentação de Alceu Valença é algo inesquecível. O criador, organizador e idealizador do Festival de Águas Claras, em Iacanga (SP), Antonio Checchin Júnior, conhecido como Leivinha, afirma no filme “O Barato de Iacanga”, de Thiago Mattar: “o maior show das quatro versões do festival foi, sem dúvida alguma, o de Alceu Valença.”
É bom lembrar que passaram por este festival o que havia de melhor na nossa música até então, entre eles: Armandinho, Dodô & Osmar, Arthur Moreira Lima, Egberto Gismonti, Fagner, Sivuca, Premeditando o Breque, Sandra Sá, Paulinho da Viola, Sá & Guarabyra, Erasmo Carlos e Wanderléa e João Gilberto.
Talento de compositor
Somado ao canto e à performance de Alceu está o seu talento de compositor. Com meia dúzia de acordes, fez algumas das canções mais belas do nosso cancioneiro. Sua obra traz influências múltiplas, que vão das já citadas canções nordestinas e o rock até mantras indianos entre outras. Algumas de suas composições têm uma beleza inexplicável, simplicidade e sensualidade que fazem explodir multidões. Não há quem não tenha passado por essas plagas que não tenha entoado a plenos pulmões o refrão poderoso de “Anunciação”: “Tu vens, tu vens, eu já escuto seus sinais.”
Alceu Valença é uma alegria da vida, de um Brasil que pulsa e luta, orgulhoso de suas festas, de sua cultura popular. Pernambucano, de Olinda, dos carnavais e canaviais, virou cartão postal do próprio estado em modo permanente de poesia e festa.
Nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026, Alceu chega a inacreditáveis 80 anos ainda pulando, compondo e cantando feito moleque. Um artista imprescindível vindo diretamente de um país que dá certo e se orgulha disso.