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Lula na Record dá mais que o dobro de audiência da Band durante debate da “segunda divisão” eleitoral

A entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Record registrou mais que o dobro da audiência do primeiro debate presidencial das eleições de 2026

Lula na Record dá mais que o dobro de audiência da Band durante debate da “segunda divisão” eleitoral

TL;DR

  • Entrevista de Lula à Record registrou 4,28 pontos de audiência na Grande São Paulo, enquanto o debate da Band marcou 2,06 pontos.
  • O debate presidencial contou com a participação de Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury, devido à ausência de Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema.
  • Lula abordou em sua entrevista investigações envolvendo seu filho, a criação de um Ministério da Segurança Pública, relação com Donald Trump, economia, e criticou o debate político nas redes sociais.
  • Renan Santos atacou Lula e Flávio Bolsonaro durante o debate, que também abordou temas como segurança pública, educação e economia.
  • Lula lidera as pesquisas de intenção de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, o que explica o esvaziamento do debate.

A entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Record registrou mais que o dobro da audiência do primeiro debate presidencial das eleições de 2026 realizado pela Band, na noite deste domingo (23), em um confronto esvaziado pela ausência dos candidatos que lideram as pesquisas.

Segundo dados de medição em tempo real divulgados, às 20h57 a Record marcava 4,28 pontos na Grande São Paulo, enquanto a Band registrava 2,06 pontos com o debate. Naquele momento, portanto, a entrevista de Lula tinha audiência 108% superior à do encontro entre os presidenciáveis.

A Record aparecia em terceiro lugar, atrás da Globo, com 16,13 pontos, e do SBT, com 7,84. A Band ocupava a quarta posição. Os números se referem à medição naquele minuto específico, e não à média consolidada de toda a duração dos dois programas.

Debate sem os líderes das pesquisas

O resultado ocorreu justamente no primeiro debate presidencial da campanha, tradicionalmente promovido pela Band, que acabou marcado pelo esvaziamento. Como a Fórum mostrou, Lula, Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) não compareceram. Participaram apenas Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).

O contraste com as pesquisas ajuda a explicar a configuração do encontro. No Datafolha divulgado na sexta-feira (21), Lula aparecia na liderança, com 39% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33%. Caiado tinha 5%, Renan Santos, 4%, e os demais candidatos apareciam bem atrás dos dois líderes.

Sem Lula e Flávio, os dois candidatos que concentram a maior parte das intenções de voto, o debate ficou entregue àquilo que poderia ser chamado de “segunda divisão” da disputa presidencial.

A ausência dos favoritos acabou, inclusive, dominando boa parte do programa. Renan Santos foi aos púlpitos vazios de Lula e Flávio para atacá-los e transformou o confronto em uma sucessão de provocações. Augusto Cury, que chegou a anunciar que abandonaria o debate em protesto contra as ausências, voltou atrás e participou.

Como foi o debate da Band

Além dos ataques aos ausentes, o debate abordou segurança pública, educação, economia, corrupção, relações com os Estados Unidos e o fim da escala 6×1.

Renan Santos defendeu intervenção federal em estados que, segundo ele, estejam dominados pelo crime organizado e atacou Lula repetidas vezes. Ronaldo Caiado explorou sua gestão em Goiás, defendeu redução dos juros e apresentou a segurança pública como uma de suas principais bandeiras. Augusto Cury concentrou parte de suas intervenções em educação e criticou a agressividade de Renan.

No segundo bloco, entraram em discussão o tarifaço dos Estados Unidos e a jornada 6×1. Renan criticou a proposta de redução da jornada de trabalho e voltou a mirar Lula. Cury afirmou que trabalhadores brasileiros vivem situação de burnout, enquanto Caiado defendeu o uso de inteligência artificial na segurança pública.

O debate terminou sem que nenhum dos três participantes conseguisse deslocar do centro da disputa os dois principais ausentes.

Enquanto isso, Lula falava na Record

A partir das 20h30, enquanto o debate transcorria na Band, o Domingo Espetacular exibiu uma entrevista exclusiva de Lula a Mariana Godoy, gravada em Brasília.

O presidente falou sobre as investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e afirmou que ninguém está acima da lei. Lula disse que não interfere nas investigações e que, caso sejam comprovadas irregularidades, os responsáveis devem responder por seus atos.

Lula também anunciou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública em um eventual novo mandato, condicionado à aprovação da PEC da Segurança Pública. A ideia é ampliar a coordenação entre União, estados e municípios no combate ao crime organizado.

Outro tema foi a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula afirmou que mantém um diálogo “civilizado” com o republicano, mas criticou medidas tomadas por integrantes do segundo escalão do governo estadunidense e rejeitou interferências externas em assuntos brasileiros.

Na economia, o presidente destacou a queda do desemprego e da inflação e reconheceu que os juros elevados continuam pesando sobre as famílias. Também falou sobre o fim da escala 6×1, a chamada “taxa das blusinhas”, minerais críticos e medidas de combate ao feminicídio.

Lula aproveitou ainda a entrevista para criticar o que considera uma deterioração do debate político provocada pelas redes sociais. Disse sentir “saudade” de enfrentar adversários como Fernando Henrique Cardoso e José Serra e criticou candidatos que apostam na lógica de “lacrar” na internet para construir uma candidatura presidencial.