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Ele plantou 40 milhões de árvores sozinho e mudou o curso de uma região inteira

No fim dos anos 1970, um adolescente da comunidade mishing, na Índia, iniciou o projeto de uma vida: plantar sozinho uma floresta inteira.

Ele plantou 40 milhões de árvores sozinho e mudou o curso de uma região inteira

TL;DR

  • Jadav Payeng, da comunidade Mishing, iniciou em 1979 o plantio de árvores em um banco de areia do rio Brahmaputra, em Assam, Índia.
  • Ele continuou o projeto sozinho por décadas após o encerramento de uma iniciativa governamental.
  • O esforço resultou na Floresta Molai (Molai Kathoni), cobrindo cerca de 5,5 milhões de com uma estimativa de 40 milhões de árvores.
  • A floresta recuperou solos erodidos, criou habitat para fauna e flora e transformou o ecossistema local.
  • Payeng é conhecido como o "Homem da Floresta da Índia" e propõe a criação de um corredor ecológico para conectar a Floresta Molai ao Parque Nacional de Kaziranga.

Adolescente da comunidade Mishing, Jadav Payeng, iniciou em 1979 o plantio de árvores na areia do rio Brahmaputra, em Aruna Chapori, Assam, Índia.

Após o encerramento de um projeto governamental de silvicultura, ele continuou sozinho, plantando e cuidando de mudas por décadas.

O esforço gerou a Floresta Molai (Molai Kathoni), com cerca de 5,5 milhões m² e estimativa de 40 milhões de árvores.

A floresta recuperou solo erodido, criou habitat para fauna e flora locais e transformou o ecossistema da região.

No fim dos anos 1970, um adolescente da comunidade mishing, na Índia, iniciou o projeto de uma vida: plantar sozinho uma floresta inteira.

Jadav Payeng, que tinha cerca de 16 anos à época, caminhava por um banco de areia do rio Brahmaputra, no estado indiano de Assam, quando encontrou dezenas de cobras mortas pelo calor após terem sido arrastadas para o campo aberto por uma enchente.

O episódio ocorreu na região de Aruna Chapori, próximo à ilha fluvial de Majuli, sujeita à dinâmica de erosão dos solos provocada pelas cheias do rio Brahmaputra, um dos maiores corpos d’água da Ásia, com cerca de 2.900 quilômetros de extensão, que foi transformada em uma floresta com cerca de 5,5 milhões de metros quadrados conhecida como Floresta Molai, ou Molai Kathoni.

Segundo Moitreyee Saha, do Departamento de Botânica do Bandodkar College of Science, havia, em 1979, um projeto de silvicultura conduzido pelo governo local de Assam em uma grande área da região de Aruna Chapori. Payeng participou das atividades de plantio e manutenção.

Eventualmente, entretanto, o projeto foi encerrado, mas o jovem Payeng decidiu continuar os esforços de reflorestamento.

Por conta própria, Payeng passou a plantar novas árvores, fazer a manutenção das mudas e acompanhar o crescimento da floresta, até então um banco de areia.

À medida que a vegetação se estabeleceu, Payeng passou a diversificar o plantio de outras espécies de árvores, que forneciam sombra e matéria orgânica para espécies animais e vegetais da região. A vegetação logo se tornou habitat para uma variedade de espécies, incluindo elefantes-asiáticos, tigres-de-bengala, rinocerontes-indianos, cervos, macacos e aves.

“Após trabalhar incansavelmente desde 1979 até os dias de hoje, ele realizou o seu sonho”, afirma Moitreyee Saha. “Transformou um banco de areia estéril em uma floresta densa e exuberante, repleta de vida selvagem.”

Payeng na Floresta Molai. Créditos: divulgação

O governo da região tomou conhecimento da floresta em 2008 e a transformou em uma reserva florestal. Em 2012, Payeng recebeu, do vice-reitor da Universidade Jawaharlal Nehru, Sudhir Kumar Sopory, o título de “Homem da Floresta da Índia” por seus serviços prestados à comunidade.

Segundo registros oficiais indianos, a área passou a ser utilizada por dezenas de elefantes, que chegam a permanecer no local durante determinados períodos do ano.

Hoje, Majuli ainda passa por episódios de enchentes, mas a vegetação densa plantada ali ajuda a minimizar os efeitos do fenômeno em trechos do terreno.

Quando o rio muda de curso, transporta enormes volumes de água e sedimentos, o que torna essencial a presença de vegetação para impedir a erosão.

Estima-se que, sozinho, Payeng tenha sido responsável pelo plantio de mais de 40 milhões de árvores ao longo de mais de quatro décadas, em uma área maior do que o Central Park.

Segundo informações divulgadas pelo governo indiano, uma das propostas de Payeng é criar uma conexão de aproximadamente 60 quilômetros entre a Floresta Molai e o Parque Nacional de Kaziranga, uma das áreas mais importantes para a conservação de rinocerontes e outros animais no estado de Assam, criando uma espécie de corredor ecológico que permita o deslocamento dos animais entre áreas naturais.