sports
май 28, 2026
Лукас Мендес кто? Сборная, которая «покупает» игроков, в беде
Катар, со своей футбольной академией, усиливает сборную за счет иностранцев. Лукас Мендес кто?

TL;DR
- Катар вкладывает миллиарды в создание сети футбольных школ и поиск молодых талантов.
- Страна натурализует иностранных игроков для усиления национальной сборной.
- Сборная Катара показала худший результат среди хозяев в истории Чемпионатов мира 2022 года.
- Катар дважды выигрывал Кубок Азии (2019 и 2023) и квалифицировался на Чемпионат мира 2026 года благодаря увеличению числа участников.
- Были обвинения в попытках Катара «купить» игроков, как в случае с бразильскими футболистами и кенийским бегуном.
Lucas Mendes quem? O torcedor brasileiro não conhece, ainda, uma das estrelas do Catar na Copa de 2026.
A Academia do Desejo, ou melhor, da Aspiração, custou bilhões de dólares em investimentos governamentais. Consiste numa série de escolinhas de futebol e de outros esportes para as crianças do Catar. Além disso, olheiros acompanham as equipes das escolas públicas do país.
O Catar é uma monarquia do Golfo Pérsico que tem menos de 3 milhões de habitantes e metade do território de Sergipe.
Montados no dinheiro do gás e do petróleo, os governantes decidiram projetar seu país como uma mini-potência mundial.
Construíram um mega aeroporto em Doha — que conecta Oriente e Ocidente.
Importaram talentos da britânica BBC para montar a rede Al Jazeera.
“Compraram” votos para a escolha do Catar para sediar a Copa de 2022.
Segundo o diário britânico Sunday Times, o país pagou o equivalente (hoje) a até R$ 25 milhões por voto de delegado da FIFA, com valores menores para eleitores asiáticos. Os assessores do monarca Mohamed Bin Hammam sempre negaram qualquer irregularidade.
O país não entrou na lista de países árabes que reataram relações com Israel, colocando em segundo plano os palestinos, em troca de benefícios econômicos — como Marrocos, Egito, Barein, Jordânia e Emirados Árabes Unidos.
Mas, o Catar se mantém como um mediador para Tel Aviv.
Para o futebol, o Catar provou que é possível disputar a Copa do Mundo durante o inverno local, mesmo com as temperaturas batendo em 32 graus.
Porém, os torcedores jamais esperavam os resultados: a seleção local teve o pior desempenho de uma sede na História das Copas.
Três derrotas na primeira fase: Holanda, Equador e Senegal.
O poder político dos cataris já havia sido provado em 2019, quando a seleção foi convidada para a Copa América. Perdeu de Colômbia e Argentina e empatou com o Paraguai (2 a 2).
Os torcedores locais, no entanto, ainda celebram os dois títulos regionais da seleção, na Copa da Ásia, em 2019 e 2023.
O Catar só se classificou para a Copa de 2026 por causa da mudança de regulamento.
A FIFA decidiu caçar níqueis em países de menor expressão futebolística e aumentou o número de vagas de 32 para 48.
O Catar se classificou em campo, mas teve um pobre desempenho nos três jogos que disputou em dezembro de 2025: na Copa Árabe, perdeu da Palestina e da Tunísia e empatou com a Síria.
A federação local continua depositando toda a confiança no treinador espanhol Julen Lopetegui.
É atribuído a ele o “milagre” de Doha, da noite de 14 de outubro de 2025, quando o Catar venceu os Emirados Árabes Unidos por 2 a 1 e se classificou em campo para a Copa pela primeira vez.
Mas, ele contou com o apoio do zagueiro Pedro Miguel Carvalho Deus Correia, conhecido como Ró-Ró. Nascido em Portugal, ele jogou pelas categorias de base do Catar depois de receber nacionalidade do país.
Pedro Miguel fez, de cabeça, o gol decisivo do 2 a 1.
Aliás, em 2022, o Catar chegou a ter 38% de sua seleção formada por jogadores nascidos no Exterior.
Dos 3 milhões de habitantes do país, pouco mais de 10% tem o valioso passaporte da monarquia. O controle sobre a cidadania é exercido no mais alto escalão. Mas, abre exceção para alguns atletas.
Isso não é propriamente uma novidade no futebol de hoje. A França tem um grande número de senegaleses em suas seleções. Por outro lado, quando o Senegal derrotou o Catar por 3 a 1, na Copa de 2022, nove jogadores senegaleses tinham nascido na França e um na Suíça.
Porém, houve escândalo quando o Catar teria tentado “comprado” jogadores. Por exemplo, os irmãos brasileiros Ailton, Dedé e Leandro, o primeiro quando jogava no Werder Bremen, da Alemanha. Ailton teria recebido uma proposta de U$ 1,2 milhão para aceitar a nacionalidade do Qatar, mas nunca se transferiu.
Antes disso, o Catar já tinha ‘comprado’ o corredor queniano Stephen Cherono, que veio a ganhar a medalha de ouro no Mundial de atletismo de Paris, em 2003.
Cherono mudou de nome para Saif Saaeed Shaheen, com promessa de salário vitalício de mil dólares por mês, além de outras vantagens.
O atleta não fugiu do assunto:
Meu nome? Não escolhi. Escolheram pra mim. Você gostou?
Na Copa de 2026, não será diferente: o Catar terá o veterano zagueiro Lucas Mendes, 35 anos, nascido no Paraná; o argelino Boualem Khoukhi, o francês Karim Boudiaf, o sudanês Almoez Ali — estrela da seleção — e o britânico Niall Mason.
Mendes, que jogou no Coritiba e em Marselha, mora no Catar faz quase dez anos e tem cidadania local.
No final de 2024, Lucas Mendes fez um gol incrível aos 11 minutos do tempo extra na vitória de 3 a 2 sobre o Uzbequistão que manteve o Catar vivo nas eliminatórias da Copa. Os torcedores jamais se esqueceram do golaço.
A “legião estrangeira” caiu num grupo espinhoso na Copa de 2026: Suíça, Canadá e Bósnia e Herzegovina.
O Catar busca prestígio em campo. A monarquia promove investimentos maciços na construção de portos na África e no Oriente Médio. Precisa — e muito — da simpatia da torcida global, o que vai tentar mais uma vez na Copa de 2026.