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70 лет назад «Сантос» подписал Пеле; и размер наших мечтаний изменился
Его имя стало словарной статьей в «Микелис» в 2023 году: «тот, кто необычен», и это применимо к Пеле.

TL;DR
- 70 лет назад «Сантос» подписал Пеле, что изначально было скромной новостью в спортивном разделе газеты.
- Пеле стал феноменом XX века, чье имя стало нарицательным и даже вошло в словарь как определение выдающегося человека.
- Автор сравнивает уникальность Пеле с коллективным величием «Большой тройки» тенниса (Надаль, Федерер, Джокович), подчеркивая, что Пеле — явление одиночное.
- Сравнение Пеле с другими выдающимися личностями, такими как The Beatles, показывает, что к ним также часто сравнивают новых исполнителей, но обратное не всегда верно.
- Существование таких феноменов, как Пеле, остае тся загадкой, но их достижения служат ориентиром и источником вдохновения.
A edição do dia 25 de julho de 1956 do jornal A Tribuna, de Santos, anunciava discretamente no meio de seu caderno de esporte uma pequena manchete que dizia: “Contratou o Santos um moço que promete ser um ‘crack’.”
A notícia vinha sem foto e sem destaque algum, no meio de uma página repleta de outras matérias de maior importância. A promessa, que virou o maior fenômeno do século XX no esporte, ficou conhecido como Pelé e é uma das marcas mais impressas, replicadas e compartilhadas da nossa era moderna.
Vim ao mundo em 1961, na mesma cidade em que Pelé escolheu jogar. No ano seguinte, o Santos FC virou o primeiro clube brasileiro a ser campeão mundial de futebol. No ano seguinte, repetiu o feito. Estava selado o meu destino de torcedor.
Lembro da minha primeira vez no estádio Urbano Caldeira, conhecido mundialmente como Vila Belmiro – eu era um menino de cinco ou seis anos. Na época, não existia TV a cores e a explosão de tons no estádio me alumbrou para o resto da vida. Assim que o time entrou em campo, meu pai segurou no meu braço, apontou e disse: “olha ele ali”. Era, obviamente, o Pelé, já consagrado, bi-campeão do mundo e pronto, no auge de sua forma física, para encantar o mundo na Copa de 1970, no ano seguinte, no México.
Dia desses, assistindo à ótima série “Nadal”, sobre a vida do tenista espanhol Rafael Nadal, fiquei espantado em como ele, o suíço Roger Federer e o sérvio Novak Djokovic se completavam. Um servia de base para os objetivos do outro e vice e versa. Conhecer as qualidades e as limitações dos adversários colaborava para que os três crescessem como atletas. Juntos, formaram a era de ouro do tênis mundial.
No caso de Pelé, nunca houve, nem antes e muito menos depois, parâmetros. Solitário, único, o rei do futebol conquistou marcas nunca superadas. A palavra “Pelé” virou verbete do dicionário Michaelis, em 2023. Foi registrada como adjetivo (masculino e feminino) para definir “aquele que é fora do comum, que ou quem em virtude de sua qualidade, valor ou superioridade não pode ser igualado a nada ou a ninguém”.
Pensei logo que Nadal seria o “Pelé do Tênis”. Qual nada. Há pelo menos outros dois “pelés” naquele esporte.
Sempre que aparece um jogador acima da média, alguém logo o compara a Pelé. Os argentinos que o digam, apesar de nunca terem conseguido um craque que chegasse ao menos perto do rei. O mesmo acontece com os Beatles. Toda e qualquer banda que surge, logo é comparada a eles e a recíproca nunca é verdadeira.
Por conta disso, ainda bem menino, tive dois grandes sonhos frustrados. Jogar naquele Santos de Pelé e/ou tocar com os garotos de Liverpool. Poderia ser, por que não, as duas coisas ao mesmo tempo. “À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo”, diz o verso de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, no imenso poema “Tabacaria”. Ele também, o Pelé da poesia em nossa língua (há, no entanto, ao contrário do rei do futebol, outros pelés em outras línguas).
A explicação para como e porque acontecem fenômenos assim talvez nunca seja satisfeita. É coisa para se admirar, guardar e seguir adiante, com o sarrafo inalcançável a nos perseguir para o todo e sempre.