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O enigma do Olho: a ilha que gira sobre si mesma no meio do Delta do Paraná
Na província de Buenos Aires, o Delta do Paraná, uma bacia aluvial de 14 mil km² totais, localizada entre os municípios de Campana e Escobar, guarda uma misteriosa ilha de formato circular cercada por um anel d’água que tem chamado a atenção da comunidade há anos.

TL;DR
- Uma ilha circular de 120 metros de diâmetro, chamada El Ojo, está localizada no Delta do Paraná, na província de Buenos Aires.
- A ilha é conhecida por girar sobre seu próprio eixo e é cercada por um anel d'água, assemelhando-se a um olho.
- É uma formação natural conhecida como 'embalsado', composta por matéria vegetal compactada e sedimentos.
- Apesar de sua descoberta internacional em 2016 e de teorias populares, não existem estudos científicos publicados sobre El Ojo.
- Uma expedição para investigar a ilha não obteve o financiamento necessário para sua realização.
Na província de Buenos Aires, o Delta do Paraná, uma bacia aluvial de 14 mil km² totais, localizada entre os municípios de Campana e Escobar, guarda uma misteriosa ilha de formato circular cercada por um anel d’água que tem chamado a atenção da comunidade há anos.
Envolvida por uma região de difícil acesso, entre áreas alagadas e canais, a ilha, conhecida como El Ojo, com cerca de 120 metros de diâmetro, é alvo de teorias populares por sua capacidade de “girar” sobre seu próprio eixo, como mostram imagens coletadas por satélites.
A ilha ganhou fama internacional em 2016, quando foi descoberta pelo cineasta argentino Sergio Neuspiller: “A água parecia preta, mas, na realidade, era completamente transparente”, disse ele em entrevista ao jornal argentino El Observador.
Ela é formada por vegetação e dá a impressão de flutuar entre o anel de água que a circunda e o restante das porções terrestres.
Mas o mais intrigante é que ela se movimenta e parece girar; por vezes, além disso, toca suas bordas e parece assumir o formato de uma lua minguante, apenas metade coberta pela sombra.
De forma geral, o conjunto assume a aparência de um olho, com a massa circular da vegetação fazendo o papel da pupila e o anel de água, do anel externo do olho humano.
A explicação para o funcionamento da região está nas áreas naturalmente alagadas do Delta do Paraná. El Ojo é uma formação conhecida como embalsado, um tipo de ilha ou plataforma flutuante formada por uma estrutura compacta de matéria vegetal que pode incluir raízes, caules, juncos, gramíneas, galhos, restos de plantas, matéria orgânica e outros sedimentos acumulados durante muito tempo, que permanecem unidos sobre a água como se fossem uma ilha.
Pesquisas sobre as balsas de vegetação flutuante da região do Rio da Prata identificaram diferentes comunidades vegetais capazes de formar estruturas flutuantes, entre 32 espécies de plantas aquáticas flutuantes ao longo da bacia do Prata.
Ao longo do tempo, a borda da ilha pode entrar em contato com a água e sofrer erosão. Se a estrutura se movimenta continuamente dentro de um espaço relativamente restrito, a erosão pode contribuir para suavizar suas extremidades.
Não há, até o momento, um estudo científico publicado especificamente sobre o El Ojo fale sobre a composição da ilha, a profundidade do lago e a evolução da formação ao longo de décadas.
Depois de identificar a formação, Sergio Neuspiller e o engenheiro hidráulico Ricardo Petroni até tentaram organizar uma expedição para investigar o fenômeno diretamente, com o uso de drones e a coleta de amostras de vegetação. O projeto dependia, no entanto, de uma campanha de financiamento coletivo que tentava arrecadar US$ 50 mil. No fim, conseguiu arrecadar apenas US$ 9,9 mil antes de ser encerrada.
Ao longo dos anos, a ilha tem sido associada pelo imaginário popular a supostas bases secretas, instalações nazistas, OVNIs, portais dimensionais e outras hipóteses, mas não existe nenhum tipo de evidência pública que sustente essas interpretações.