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Эсприэлья вступает в должность и поворачивает Колумбию вправо
Абелардо де ла Эсприэлья вступает в должность в Колумбии под аккомпанемент протестов и под усиленной охраной, знаменуя поворот вправо после правления Петро.

TL;DR
- Абелардо де ла Эсприэлья вступил в должность президента Колумбии в Кали, сменив на посту Густаво Петро.
- Церемония прошла под усиленным контролем безопасности и сопровождалась протестами оппозиции.
- Эсприэлья, не имеющий политического опыта, обещает жесткую политику в сфере безопасности и либеральные экономические реформы.
- Прошедшее правительство обвиняется в разграблении государственных финансов.
- Инаугурация привлекла внимание региональных правых лидеров, таких как Хавьер Милей.
- Оппозиция ставит под сомнение конституционность правления Эсприэлья из-за его американского гражданства.
Abelardo de la Espriella tomou posse como presidente da Colômbia nesta sexta-feira (7) em Cali, encerrando quatro anos do governo progressista de Gustavo Petro e inaugurando uma virada à direita no país. A cerimônia, realizada em um auditório universitário no sudoeste colombiano, foi a primeira fora de Bogotá em mais de dois séculos e ocorreu sob forte aparato de segurança, alertas de atos terroristas e convocações de protestos pela oposição, que questiona tanto o resultado eleitoral quanto a legitimidade constitucional do novo presidente.
A posse em Cali e a quebra de tradição
Pela primeira vez em mais de 200 anos de história republicana, a Colômbia empossou um presidente fora de sua capital. A cerimônia de Abelardo de la Espriella em Cali, no sudoeste do país, rompeu com a tradição de realizar o ato no Congresso, em Bogotá, e exigiu autorização parlamentar para a transferência temporária das atividades legislativas para um auditório universitário na cidade. A mudança partiu de iniciativa do próprio Espriella, que chegou a defender a realização da posse em uma base militar no departamento de Cauca, proposta vetada pelo então presidente Gustavo Petro.
O impasse com Petro forçou a negociação com o Congresso, onde parlamentares de esquerda votaram contra a transferência e anunciaram boicote ao evento. Aprovada a mudança, mais de 11 mil agentes entre militares e policiais foram deslocados para Cali, em meio a alertas do ministro da Defesa, Pedro Sánchez, sobre possíveis atos terroristas. “Esses criminosos provavelmente pretendem interromper este evento democrático com atos terroristas”, disse Sánchez à rádio La FM. O prefeito de Cali, Alejandro Eder, afirmou que a cidade “tomou as medidas necessárias para que o dia se desenvolva com segurança”. Para analistas, a escolha de Cali não foi apenas logística: a cidade foi epicentro dos protestos de 2021 que impulsionaram a ascensão de Petro, e realizar a posse ali é lida como uma demonstração de força política do novo governo.
O novo governo e suas propostas
Advogado criminalista e empresário de 47 anos sem experiência política prévia, Espriella venceu as eleições de junho contra o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado de Petro, por uma margem de pouco mais de 250 mil votos, obtendo 49,66% dos votos válidos. Ao longo da campanha, construiu sua imagem como candidato antissistema, declarou admiração aberta por Donald Trump e Javier Milei e fez da retórica anticomunista e contra a esquerda um dos pilares centrais de sua plataforma.
As promessas de governo combinam endurecimento da segurança pública com liberalismo econômico. Espriella anunciou a criação de uma força especial para o combate à criminalidade urbana, a revisão da estratégia de segurança contra grupos armados e um plano de austeridade que inclui o fechamento de embaixadas e consulados considerados não essenciais. Na economia, defende cortes nos gastos públicos, redução do tamanho do Estado e ampliação da exploração de petróleo. Às vésperas da posse, o presidente publicou vídeo em suas redes sociais afirmando que assumia “uma tarefa difícil” para “lidar com a recuperação e a reconstrução das finanças públicas que foram saqueadas por membros do governo anterior”. O analista político Felipe Mendoza, consultado pela Sputnik, avaliou que Espriella enfrentará “uma corrida contra o tempo” para demonstrar, nas primeiras semanas, “uma ruptura com o modelo que Petro vinha utilizando”.
Polarização e protestos: o cenário político
A posse ocorreu em um ambiente de tensão institucional aguda. Gustavo Petro questionou o resultado das eleições durante o processo de apuração, acusou Espriella de fraude eleitoral sem apresentar provas e afirmou temer uma guerra civil no país. “Estamos diante de uma fraude e de um problema institucional indubitavelmente profundo, que é a posse de um presidente ilegítimo”, declarou Petro na semana passada. Ao presidente Lula, em ligação divulgada pelo governo federal, Petro reafirmou “compromisso com a democracia e com uma transição pacífica”.
O senador Iván Cepeda, derrotado no segundo turno, convocou marchas e manifestações em Cali, Barranquilla e Bogotá para o dia da posse, em defesa dos avanços sociais, ambientais e trabalhistas do governo Petro. Cepeda também levantou uma questão constitucional sobre o novo presidente: segundo a CNN Brasil, o senador reiterou que “a cidadania norte-americana de Abelardo de la Espriella constitui um impedimento que só pode ser sanado mediante a renúncia a ela, para que ele seja reconhecido como um chefe de Estado plenamente legítimo”. A cerimônia reuniu um bloco expressivo da direita regional: estiveram presentes Javier Milei (Argentina), Daniel Noboa (Equador), Santiago Peña (Paraguai), José Antonio Kast (Chile) e Nasry Asfura (Honduras), além do rei Felipe VI da Espanha. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já que o presidente Lula não compareceu ao evento.
Desafios de um mandato que começa dividido
O governo Espriella herda um país com conflito armado ativo, grupos guerrilheiros e paramilitares operando em diversas regiões, e uma sociedade profundamente dividida após quatro anos de polarização intensa. O analista político Edwin Salcedo disse à CNN que o novo presidente enfrentará “um desafio imenso”, pois precisará “conquistar maiorias no Congresso para aprovar seus projetos mais importantes nas áreas econômica, social e de segurança e, ao mesmo tempo, enfrentar a oposição nas ruas”. Sem base parlamentar consolidada, as reformas prometidas dependem de negociações que o discurso de ruptura da campanha torna politicamente custosas.
A agenda de austeridade e o endurecimento da segurança pública levantam interrogações concretas sobre os impactos para populações que dependem de programas sociais construídos nos últimos anos e para comunidades em territórios onde grupos armados disputam o controle com o Estado. A estratégia de segurança anunciada, centrada em força especial urbana e revisão dos acordos com grupos armados, ainda não detalhou como tratará regiões rurais historicamente negligenciadas. O alinhamento explícito com Trump e Milei sinaliza uma reorientação da política externa colombiana, com rompimento já anunciado das relações diplomáticas com Cuba e Nicarágua, o que redesenha o mapa de alianças do país na América Latina e coloca em nova perspectiva a relação com o Brasil de Lula, que optou por enviar apenas seu chanceler à cerimônia.