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Аллюмибре рассыпается в похвалах Луле и повышает ожидания относительно поддержки на выборах
Президент Луис Инасиу Лула да Силва и председатель Сената Дави Аллюмибре (União-AP) провели в этот понедельник (17) первую совместную публичную программу с момента политического разрыва, ознаменовавшего первое полугодие, в Ояпоке (AP), на борту буровой установки Petrobras, работающей на Экваториальной окраине.

TL;DR
- Президент Лула и председатель Сената Аллюмибре провели первую совместную публичную встречу после периода политических разногласий.
- Аллюмибре передал Сенату три законодательных предложения, приоритетных для правительства Лулы, включая PEC об отмене шкалы 6х1, PEC о государственной безопасности и закон о критически важных минералах.
- Встреча прошла на борту буровой установки Petrobras в Ояпоке, где были обнаружены углеводороды, что подчеркнуло важность Экваториальной окраины для энергетической политики Бразилии.
- Открытие углеводородов на Экваториальной окраине сравнивается с досолевым месторождением, хотя коммерческая целесообразность еще не определена.
- Разрыв между Лулой и Аллюмибре начался в апреле после отклонения Сенатом кандидатуры Хорхе Мессиаса в Верховный суд, но примирение началось в августе.
- Действия Аллюмибре рассматриваются как часть его стратегии для переизбрания на пост председателя Сената в 2027 году и поддержания отношений с исполнительной властью.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), realizaram nesta segunda-feira (17) sua primeira agenda pública conjunta desde o rompimento político que marcou o primeiro semestre, em Oiapoque (AP), a bordo do navio-sonda da Petrobras que opera na Margem Equatorial. O encontro foi marcado por elogios recíprocos e pela confirmação de que Alcolumbre encaminhou, na sexta-feira (14), três propostas legislativas consideradas prioritárias pelo Planalto, num gesto de reaproximação que ocorre às vésperas do início da campanha eleitoral de 2026.
Diante de Lula e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, Alcolumbre não poupou palavras.
“Muito obrigado pela defesa que o senhor fez ao longo dos últimos três anos e meio, enfrentando tudo e todos para defender que este projeto chegasse no dia de hoje com essa descoberta feita pela Petrobras, que tem que ser o orgulho de todos os brasileiros”, disse o senador.
O elogio foi acompanhado de um discurso sobre soberania energética: Alcolumbre afirmou que brasileiros e o Congresso precisam mostrar que são eles, e não interesses externos, quem decide o futuro do país.
Lula retribuiu publicamente. Citou a conversa que tivera com Alcolumbre na semana anterior e agradeceu pelo encaminhamento de três pautas às comissões do Senado, descrevendo-as como “projetos de importância vital para o Brasil”. A troca de afagos em Oiapoque encerrou, ao menos simbolicamente, um período de quase três meses em que os dois praticamente não se falavam. A visita ao navio-sonda, palco escolhido para o reencontro público, não foi acidental: a Petrobras havia anunciado três dias antes a identificação de hidrocarbonetos no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, transformando o Amapá no centro das atenções da política energética nacional.
Destravamento de pautas prioritárias
As três propostas encaminhadas por Alcolumbre às comissões do Senado na sexta-feira (14) são: a PEC do fim da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública e o projeto de lei que institui o marco legal de minerais críticos e terras raras. Os temas estavam parados, sem sequer receber o despacho inicial do presidente do Senado, desde que a relação entre os dois se deteriorou em abril. O movimento de Alcolumbre foi interpretado pelo Planalto como um gesto concreto de reaproximação, não apenas retórico.
Lula destacou cada uma das propostas em seu discurso. A PEC do fim da escala 6×1 tem apelo popular direto, ao tratar das condições de trabalho de milhões de brasileiros. O projeto de minerais críticos se encaixa na narrativa de soberania nacional que o governo vem construindo, com Lula reiterando que o país não vai “deixar que ninguém de fora venha querer explorar os nossos minérios” sem que haja transformação e agregação de valor em território nacional. Apesar do avanço formal, a avaliação predominante no Senado é que as votações efetivas desses temas devem ocorrer somente após as eleições municipais, dado o calendário legislativo comprimido.
Margem Equatorial
A descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, a 175 km da costa do Amapá, em lâmina d’água de 2.886 metros, foi anunciada pela Petrobras na sexta-feira (14) e deu o tom do encontro em Oiapoque. Para Alcolumbre, senador pelo Amapá e um dos principais articuladores políticos em defesa da exploração na Margem Equatorial, a notícia chegou como confirmação de anos de pressão política. O senador afirmou ter recebido a informação diretamente da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e classificou o momento como histórico para o estado.
Lula, Alcolumbre e o ministro Alexandre Silveira posicionaram-se publicamente a favor da liberação da sondagem, defendendo a exploração como vetor de desenvolvimento para a região Norte e como alternativa estratégica para o futuro energético do país. Lula chegou a comparar a descoberta ao pré-sal e a vincular a Margem Equatorial ao cenário geopolítico internacional. A Petrobras, no entanto, ainda está em fase exploratória: não há estimativa de volume de petróleo nem confirmação de viabilidade comercial. A perfuração continua para ampliar a avaliação da área.
Expectativas eleitorais: Alcolumbre deve declarar apoio a Lula
O rompimento entre Lula e Alcolumbre teve origem em abril, quando o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. O Planalto interpretou o resultado como fruto de uma articulação conduzida pelo próprio Alcolumbre, o que gerou meses de silêncio entre os dois. Pautas de interesse do Executivo ficaram represadas na Casa durante esse período.
A reaproximação começou a ser costurada em 4 de agosto, com um jantar na residência do ministro do STF Alexandre de Moraes, e avançou em 12 de agosto, quando Lula recebeu Alcolumbre no Palácio da Alvorada por cerca de duas horas. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, classificou o encontro como um “passo gigantesco” e afirmou que Alcolumbre apoiará a chapa petista nas eleições de 2026, embora o senador ainda não tenha feito declaração direta nesse sentido. O movimento de Alcolumbre também tem lógica própria: ele pretende disputar novamente a presidência do Senado em 2027 e acompanha com atenção a possibilidade de crescimento da bancada bolsonarista na Casa, que terá dois terços das 81 cadeiras renovados em outubro de 2026. Nesse cenário, manter canais abertos com o Planalto é, para o senador, tanto uma necessidade imediata quanto um cálculo de médio prazo.