politics

Умер Эдгар Морен в возрасте 104 лет

В эту пятницу скончался социолог и философ Эдгар Морен в возрасте 104 лет. Причина и место смерти не разглашаются.

Умер Эдгар Морен в возрасте 104 лет

TL;DR

  • Эдгар Морен, известный своим вкладом в «Мысль о сложности», скончался в возрасте 104 лет.
  • Он был влиятельным мыслителем XX и XXI веков, работавшим в таких областях, как социология, философия, эпистемология, антропология и образование.
  • Морен участвовал во Французском Сопротивлении и был членом Французской коммунистической партии, прежде чем порвать с ней из-за антисталинистских позиций.
  • Он был пионером в исследовании культуры масс, кино и средств массовой информации, а также автором влиятельной работы «Семь навыков, необходимых для будущего образования».
  • Незадолго до смерти Морен опубликовал свой первый роман «Год потерял весну», написанный в 1948 году, и размышлял о глобальных кризисах, подчеркивая необходимость объединенного гуманизма.

Morreu nesta sexta-feira o sociólogo e filósofo Edgar Morin, aos 104 anos. A causa e o local da morte não foram divulgados.

Nascido em Paris, foi um dos pensadores mais influentes do século XX e XXI, reconhecido mundialmente por desenvolver o chamado Pensamento Complexo, abordagem que desafia a fragmentação do conhecimento científico e propõe compreender os fenômenos em sua totalidade, com suas contradições, incertezas e inter-relações.

O anúncio foi feito pela Multiversidad Mundo Real Edgar Morin, instituição internacional que difunde a obra do intelectual. “Com profundo respeito e gratidão, lamentamos o falecimento de Edgar Morin, pensador universal, mestre da complexidade e guia humanista de nossa comunidade acadêmica. Sua obra permanecerá sempre viva em cada esforço para reconectar os saberes, compreender a condição humana e pensar o mundo a partir de uma visão integradora”, diz a nota.

Autor de uma vasta obra, Morin transitou pela sociologia, filosofia, epistemologia, antropologia e educação, tornando-se referência obrigatória para pesquisadores e educadores em todo o mundo, especialmente na América Latina.

Ex-membro da Resistência Francesa na Segunda Guerra Mundial, foi filiado ao Partido Comunista Francês até romper com ele nos anos 1950 por suas posições antiestalinistas. Em seguida, ingressou no CNRS, o principal organismo de pesquisa científica da França, onde desenvolveu sua carreira acadêmica por décadas.

Nos anos 1950 e 1960, voltou sua atenção para temas então pouco valorizados pela academia europeia, como a cultura de massa, o cinema e os meios de comunicação, antecipando debates que só ganhariam força décadas depois. Em 1962 publicou O Espírito do Tempo, análise pioneira da indústria cultural.

Em maio de 1968, Morin foi um dos intelectuais que abraçaram o movimento estudantil, chegando a assinar um manifesto no Le Monde em defesa das mobilizações à época. A partir dos anos 1970, dedicou-se à construção de sua obra magna, O Método, série de seis volumes publicados entre 1977 e 2004, na qual sistematizou o Pensamento Complexo.

Em 1999, produziu para a Unesco Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, obra que se tornaria referência global em filosofia da educação.

Edgar Morin e o elogio à dúvida

Ainda na ativa, Edgar Morin concedeu uma entrevista, publicada em abril deste ano, ao jornal Le Monde. Ali, falou sobre o momento político atual.

“Já não existe uma cultura política alicerçada em grandes pensadores como Marx ou Tocqueville. Muitas figuras políticas atuais carecem de conhecimento histórico. E nesse vácuo de pensamento independente, a política se reduz à economia, e até mesmo à economia neoliberal. Mas não é apenas a política que está subdesenvolvida em nossa sociedade; o pensamento, a justiça, também”, disse.

Sobre o elogio à dúvida, Edgar Morin afirmou ao entrevistador: “O pensamento complexo reconhece sua incompletude e, portanto, a inevitabilidade da incerteza. Em relação à dúvida, sigo Montaigne. Mas também tenho fé no potencial humano. Para mim, fé e dúvida estão em constante diálogo”.

“Duvido de toda afirmação até que eu tenha provas de sua veracidade. Duvido da humanidade, embora ainda acredite nela. Tenho fé no amor e na fraternidade”, pontuou.

Em 2025, quando tinha 103 anos, Edgar Morin decidiu publicar seu primeiro romance, O Ano Perdeu a Primavera, escrito em 1948, que permaneceu como rascunho por mais de setenta anos, conforme declarou. “Eu não sabia se tinha talento suficiente para escrever um bom romance”, confidenciou, ao La Repubblica.

Quando foi perguntado pela publicação italiana sobre as inúmeras crises pelas quais o mundo passa (Social, ambiental e humana), refletiu que não eram crises isoladas. “Vivemos numa era perigosa. Pela primeira vez, a história tornou-se global. E, no entanto, a consciência da nossa interdependência é mais frágil do que nunca”, pontuou. “As pessoas refugiam-se em filiações particulares e perdem a visão do todo”, alertou, afirmando que seria um reflexo de defesa que ele chama de “reação imunitária do mundo” e que corre o risco de alimentar as próprias patologias que procura rejeitar.”Só um humanismo regenerado pode nos salvar. Um pensamento capaz de unir em vez de dividir, de acolher a complexidade em vez de negá-la”, concluiu.