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май 21, 2026
Кабо-Верде взял игрока, найденного в соцсетях, на Кубок
Игрок, приглашенный через социальные сети, должен стать ярким событием для Кабо-Верде на Кубке мира 2026 года.

TL;DR
- Кабо-Верде имеет сильные культурные и исторические связи с Бразилией, уходящие корнями во времена работорговли и морских связей.
- Национальная сборная Кабо-Верде, «Синие Акулы», состоит из игроков, представляющих обширную диаспору страны, проживающую в основном в США.
- Игроки, такие как Роберто Лопес (Пико), были обнаружены и приглашены в сборную через платформы социальных сетей, такие как LinkedIn.
- Сборная добилась успеха в отборочных матчах, заняв первое место в группе, опередив Камерун, под руководством тренера Педро Леана Брито (Бубиста).
- Матчи пройдут в Атланте, Майами и Хьюстоне, где ожидается сильная поддержка со стороны диаспоры Кабо-Верде.
- Несмотря на прошлое, отмеченное нехваткой ресурсов и голодом, Кабо-Верде достиг экономической стабильности и гордится своим культурным разнообразием.
Um jogador convocado pelas redes sociais deverá ser destaque de Cabo Verde na Copa de 2026.
O arquipélago tem uma grande identidade com o Brasil.
Primeiro porque foi usado pelos portugueses como entreposto comercial durante o tráfico de escravizados.
Além disso, muitos navios brasileiros ancoraram em São Vicente. Assim, os marinheiros levaram nossa música e influenciaram ilhéus.
Não é por acaso que a maior estrela da Cultura local, Cesária Évora, tenha cantado que São Vicente é um “brazilin”. Brazilin, ou brasilzinho, é como se fala no idioma cabo-verdiano.
O arquipélago tem enorme diversidade. A ilha do Fogo, por exemplo, abriga um vulcão ativo que escalei com uma equipe de reportagem brasileira.
O governo local faz um imenso trabalho para conectar de forma digital as nove ilhas de origem vulcânica, no oceano Atlântico, a mais de 2 mil quilômetros do litoral brasileiro (a décima ilha não é habitada).
Transfiram esta ideia para um gramado de futebol: os Tubarões Azuis são um retrato da diáspora cabo-verdiana, proporcionalmente uma das maiores do mundo.
A negligência de Portugal com a sua colônia vem aos poucos sendo revelada: Cabo Verde enfrentou graves crises de falta de água e comida. O país só se tornou independente em 1975.
As duas ondas de fome dos anos 40 do século passado ainda marcam o imaginário popular. Houve ao menos 50 mil mortos.
Centenas de milhares foram embora de Cabo Verde em busca de oportunidades para sobreviver. Por exemplo, nas plantações de cacau de São Tomé e Príncipe, outra ex-colônia portuguesa.
A resiliência dos cabo-verdianos agora se expressa em uma seleção de futebol.
Quando este repórter visitou Cabo Verde, fomos a uma das duas represas que o governo da China construiu na ilha de Santiago para estocar água de chuva. Os chineses pacientemente desenvolveram profundas relações com a África, isolando Taiwan nas Nações Unidas.
Portugal, no entanto, continua sendo o maior parceiro comercial de Cabo Verde. O escudo, moeda local, é ancorado ao euro.
Para um arquipélago de 600 mil habitantes, há quase duas vezes mais cabo-verdianos na diáspora, especialmente nos Estados Unidos.
É por isso que, assim como Cabo Verde, a seleção nacional é um caleidoscópio.
O veterano Ryan Santos, 36 anos, hoje joga no Iğdır, da Turquia. Garry Rodrigues, também de 35 anos, joga no Apollon Limassol, do Chipre. Nascido na França, o zagueiro Logan Costa é do elenco do Villarreal, da Espanha. Nascido em Portugal, o atacante Bebé atua no Ibiza, também na Espanha.
Um dos casos mais surreais no recrutamento do time aconteceu com o irlandês Roberto Lopes, o Pico. Ele foi contatado pelo então técnico Rui Águas através do perfil do LinkedIn.
Como não fala português, Pico achou que era spam:
Desde pequeno nos ensinam a desconfiar de mensagens ou ligações estranhas, então achei que fosse um spam.
Posteriormente, foi contatado em inglês e aceitou defender o país de origem do pai.
Deu certo: ele se tornou um dos líderes da seleção nas eliminatórias. Cabo Verde passou em primeiro no grupo, deixando a poderosa Camarões em segundo, quatro pontos atrás.
O homem que fez tudo “dar liga” é o ex-jogador e agora técnico Pedro Leão Brito, o Bubista.
Em seu amistoso mais recente, Cabo Verde empatou em 1 a 1 com a Finlândia.
Com uma imensa diáspora na Nova Inglaterra, muitas vezes mencionada como “a décima ilha de Cabo Verde”, a seleção deve contar com grande apoio nas arquibancadas, ainda que os preços da FIFA sejam espantosos: custa U$ 380 o ingresso para o jogo de Cabo Verde contra a Arábia Saudita.
Por comparação, os ingressos dos jogos do Brasil estão custando até U$ 2.300 e o dos EUA contra o Paraguai, na estreia, mais de U$ 4 mil.
Quando entrevistei Cesária Évora em Mindelo, na ilha de São Vicente, ela destacou que “saudade” é algo intrínseco ao povo local. Os cabo-verdianos amam o seu arquipélago de paixão e ajudam a sustentá-lo com remessas anuais de mais de U$ 300 milhões.
Cesária nos contou, inclusive, que cresceu ouvindo música brasileira nas ondas curtas da rádio Nacional. O Brasil, assim, é como um país-irmão.
O arquipélago se orgulha de sua variedade musical, que vai da morna ao funaná.
Depois de passar por sérias dificuldades, Cabo Verde hoje tem uma invejável estabilidade econômica.
Por isso, a festa está garantida em Atlanta, Miami e Houston, cidades onde o Brazilin vai jogar.