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март 12, 2026

VÍDEO – Tiffany recebe apoio da torcida após ataque transfóbico da Câmara de Londrina

A jogadora de vôlei Tiffany Abreu, que atua no Osasco, se tornou alvo de um ataque transfóbico por parte da maioria dos vereadores da Câmara Municipal de Londrina (PR), que aprovou requerimento para fazer valer uma lei local que proíbe a participação de atletas trans em campeonatos profissionais.

VÍDEO – Tiffany recebe apoio da torcida após ataque transfóbico da Câmara de Londrina

TL;DR

  • A Câmara Municipal de Londrina aprovou um requerimento para vetar a participação da jogadora de vôlei trans Tiffany Abreu em competições profissionais, com base em uma lei municipal.
  • A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) conseguiu uma liminar na Justiça Estadual do Paraná para garantir a participação de Tiffany na semifinal da Copa Brasil Feminina de Vôlei.
  • Tiffany Abreu afirmou que sua presença nas quadras é um ato político e uma luta diária contra a transfobia, destacando a baixa expectativa de vida da comunidade trans no Brasil.
  • A lei municipal de Londrina, considerada inconstitucional, foi criticada por sua confusão conceitual, chegando a proibir a participação de pessoas cisgêneras.
  • A atleta recebeu homenagens de torcedores e colegas de equipe antes da partida.

A jogadora de vôlei Tiffany Abreu, que atua no Osasco, se tornou alvo de um ataque transfóbico por parte da maioria dos vereadores da Câmara Municipal de Londrina (PR), que aprovou requerimento para fazer valer uma lei local que proíbe a participação de atletas trans em campeonatos profissionais. Com isso, a jogadora do Osasco ficaria impedida de atuar, mas a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) acionou a Justiça e garantiu a participação de Tiffany.

Momentos antes de iniciar a partida, Tiffany Abreu recebeu uma série de homenagens de torcedores e de colegas de equipe. Em vídeo que circula nas redes sociais, é possível ver jovens entregando um cartaz à atleta com a frase: “Tiffany, nós te amamos”.

Durante entrevista à Globo Esporte, Tiffany afirmou que vai continuar jogando e que sua presença nas quadras é um ato político, visto que pessoas trans são perseguidas e mortas no Brasil e têm expectativa média de vida de 35 anos no país:

“Vai ter mulher trans jogando, sim! Chega de transfobia, vai ter mulher trans campeã, sim! É uma emoção muito grande [estar na semifinal], sabe por quê? Estou vivendo muita transfobia no esporte, muitas leis contra as mulheres trans. Então eu tenho que lutar diariamente para jogar, eu tenho que lutar fora de quadra, dentro de quadra. Mas é por esses momentos que estou lutando, porque a minha classe é a que mais sofre, é a que mais morre no Brasil. A nossa média de idade é de 35 anos. Eu estou com 40, eu sou uma sobrevivente, mas eu não vou deixar de lutar pela minha classe.”

Na quinta-feira (27), a Câmara Municipal de Londrina aprovou um requerimento, por 14 votos a 3, para que se fizesse cumprir a Lei Municipal nº 13.770/24, que proíbe atletas trans de participarem de competições esportivas vinculadas ao poder público municipal.

A legislação – considerada inconstitucional – foi evocada para vetar a participação da jogadora Tiffany, que é trans e atua no Osasco São Cristóvão Saúde, que enfrenta nesta sexta-feira (27) o Sesc RJ Flamengo, na semifinal da Copa Brasil Feminina, às 18h30, no Ginásio Moringão, em Londrina.

Tiffany poderá jogar: a Justiça Estadual do Paraná atendeu a um pedido da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e concedeu liminar, na quinta-feira (27), garantindo a participação da atleta trans na semifinal da Copa Brasil Feminina de Vôlei. A CBV acionou a Justiça após a Câmara Municipal de Londrina aprovar requerimento para vetar a presença de Tiffany na partida.

A CBV também acionou o Supremo Tribunal Federal (STF), onde sustenta que a legislação de Londrina é inconstitucional. A ministra Cármen Lúcia é a relatora do caso.

Além do caráter transfóbico e homofóbico da legislação de Londrina – considerada inconstitucional, visto que homofobia e transfobia são crimes -, o texto da lei, de autoria da vereadora Jéssica Ramos Moreno (PL-PR), revela que a parlamentar não sabe diferenciar identidade de gênero e orientação sexual e, por causa disso, acabou proibindo todo mundo de praticar esporte profissionalmente na cidade.

O parágrafo segundo do artigo 1º da lei diz o seguinte:

“Para efeito de aplicação desta Lei define-se como sexo biológico de seu nascimento ‘feminino’ ou ‘masculino’, prevalecendo assim a proibição da participação de atleta cujo gênero seja identificado em contrariedade ao sexo biológico de seu nascimento: gay, lésbica, bissexual, pansexual, intersexual, assexual, transexual, agênero, não binário de gênero, cisgênero, transgênero, travesti, entre outros.”

Para além da confusão conceitual do projeto, ao incluir pessoas cisgêneras como vetadas à prática profissional de esporte em Londrina, a lei acaba proibindo todo mundo, pois pessoa cisgênera é aquela que se identifica com o sexo atribuído no nascimento, ou seja, uma pessoa cisgênera pode ser heterossexual, gay, bissexual ou lésbica.

Com isso, se a lei municipal de Londrina fosse levada a cabo, nenhum evento esportivo poderia ser realizado na cidade paranaense, visto que pessoas cisgêneras e transexuais estão proibidas de participar.

A íntegra do Projeto de Lei pode ser conferida aqui.