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Глава Федеральной полиции назвал решение США относительно PCC и CV "грубой ошибкой" и потребовал ареста бразильских беглецов

Генеральный директор Федеральной полиции (PF) Андрей Родригес публично раскритиковал в пятницу (5-го) решение США классифицировать PCC и Comando Vermelho как террористические организации, назвав эту меру "грубой ошибкой" без практического эффекта на бразильское законодательство.

Глава Федеральной полиции назвал решение США относительно PCC и CV "грубой ошибкой" и потребовал ареста бразильских беглецов

TL;DR

  • Генеральный директор Федеральной полиции Бразилии Андрей Родригес назвал решение США классифицировать PCC и Comando Vermelho как террористические организации "грубой ошибкой".
  • Родригес подчеркнул разницу между террористическими организациями (идеологические мотивы) и бразильскими группировками (ориентация на прибыль).
  • Классификация США не имеет практического эффекта на бразильское законодательство и не меняет стратегию Федеральной полиции.
  • Родригес призвал США к конкретным действиям: аресту бразильских беглецов, блокировке отмытых активов и усилению обмена информацией.
  • Решение США может затруднить доступ к финансовой информации, необходимой для расследований Федеральной полиции.
  • Федеральная полиция продолжит борьбу с организованной преступностью, сохраняя свою техническую автономию.

O diretor‑geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, criticou publicamente, nesta sexta-feira (5), a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, chamando a medida de “equívoco grosseiro” sem efeito prático sobre a legislação brasileira. Em entrevistas ao portal Metrópoles, à TV Globo e à Folha de S.Paulo, Rodrigues defendeu a autonomia técnica da corporação e cobrou que Washington transforme o discurso de combate ao crime em ações concretas, como a prisão de foragidos e o bloqueio de bens lavados no sistema financeiro norte-americano.

A classificação, anunciada em 28 de maio pelo Departamento de Estado e em vigor desde sexta-feira (5), foi articulada após reunião do senador Flávio Bolsonaro com o presidente Donald Trump na Casa Branca, em meio a investigações da PF sobre o fundo Havengate, que pode ligar o clã Bolsonaro a esquemas de lavagem de dinheiro.

Para Andrei Rodrigues, a decisão de Washington parte de uma confusão conceitual que compromete, na prática, qualquer estratégia de enfrentamento ao crime. “As organizações terroristas têm motivações ideológicas, religiosas e objetivos distintos. As facções brasileiras buscam lucro. É um equívoco confundir essas duas realidades porque as estratégias de enfrentamento são diferentes”, afirmou o diretor-geral. A expressão que escolheu para qualificar a medida foi ainda mais direta em entrevista ao Metrópoles: “equívoco grosseiro”.

A distinção não é apenas semântica. O diretor da PF deixou claro que a classificação norte-americana não tem “o condão de alterar a política pública e a legislação brasileira de enfrentamento ao crime organizado” e que “não existe nenhuma força executória de uma decisão de outro país capaz de mudar algo dentro do Brasil”. A estratégia da corporação, baseada na descapitalização das facções e na prisão de lideranças, segue inalterada. Para o cidadão que vive sob o domínio do tráfico, pontuou Rodrigues, “pouco importa a definição, qual a semântica, o que vai ser chamado esse grupo que está impingindo o medo”.

Ao mesmo tempo em que rejeitou o enquadramento político da medida, Rodrigues abriu uma janela de exigência concreta: se os EUA querem de fato enfrentar o PCC e o CV, que o façam com ações, não com rótulos.

“Se os Estados Unidos querem enfrentar essas facções, podemos colaborar. Eles podem prender foragidos da Justiça brasileira, bloquear bens de criminosos que utilizam o sistema financeiro norte-americano para lavar dinheiro e ampliar a troca de informações. Existem muitas possibilidades de cooperação”, declarou.

O diretor citou exemplos concretos da parceria existente para reforçar o argumento. A maior apreensão de armas já realizada pela PF, no Aeroporto do Galeão (RJ), era de origem norte-americana, e diversas operações contra o tráfico de drogas resultaram da troca de informações com o FBI e a DEA. “Muitas dessas apreensões são fruto dessa troca de informações que nós temos com as agências americanas”, disse. A mensagem implícita é clara: a cooperação técnica funciona e deve ser preservada, mas precisa ser recíproca. “Se de fato essa recíproca é verdadeira, os Estados Unidos precisam contribuir ainda mais com o Brasil, prendendo foragidos, bloqueando e congelando patrimônios, restituindo ao país recursos desviados”, acrescentou Rodrigues em entrevista à Folha.

A decisão dos EUA não surgiu no vácuo. Ela foi anunciada em 28 de maio pelo Departamento de Estado e entrou em vigor nesta sexta-feira, após uma reunião entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca. Flávio é pré-candidato ao Palácio do Planalto e um dos principais articuladores da aproximação entre o bolsonarismo e o governo republicano norte-americano.

O timing da medida adquire contornos mais graves quando se observa o que a PF tem na mesa. Conforme mostrou a Fórum, a corporação deve solicitar às autoridades dos EUA a quebra de sigilo do fundo Havengate, que recebeu ao menos US$ 10,6 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master, supostamente para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a narrativa da ultradireita em torno de Jair Bolsonaro.

Investigadores verificam se esses recursos foram desviados para financiar o estilo de vida de Eduardo e Flávio Bolsonaro nos EUA, ambos apontados como produtores-executivos do projeto. A PF também relaciona o fundo Gold Style, da Reag, a um esquema de lavagem de dinheiro do PCC que teria movimentado R$ 1 bilhão no mercado financeiro. Segundo investigadores ouvidos pela reportagem, a mudança de status das facções pode gerar embaraços administrativos que dificultam o acesso a informações financeiras sigilosas custodiadas nos EUA, elevando a barreira burocrática para pedidos de cooperação jurídica internacional que passam agora por instâncias superiores do governo Trump.

A Polícia Federal não foi comunicada oficialmente sobre a medida e tomou conhecimento pela imprensa. Rodrigues admitiu que ainda é cedo para avaliar o impacto real na cooperação entre os dois países. “Não tivemos nenhuma alteração, nenhuma interlocução que tenha sinalizado mudança imediata nessa cooperação. Precisamos aguardar para saber qual será a política dos Estados Unidos e se é o caso de haver alterações”, disse. Um dos pontos que permanece sem resposta é se a CIA, agência com atribuições ligadas ao enfrentamento do terrorismo, poderá assumir papel central no diálogo com o Brasil, substituindo o FBI e a DEA na interlocução técnica. Essa eventual transição alteraria profundamente a dinâmica de uma parceria construída ao longo de anos sobre bases operacionais e de inteligência criminal.

Nos bastidores do Palácio do Planalto e do Itamaraty, a avaliação é de que a decisão dificilmente será revertida no curto prazo. Apesar das incertezas, Rodrigues foi categórico sobre a posição da corporação: a PF continuará atuando “com vigor e firmeza” contra o crime organizado, “independentemente da posição de governos estrangeiros”. A autonomia técnica da instituição, reafirmou, não está em negociação.