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Агрессивный и элегантный ответ Хаддада на предательство братьев Болсонару
Эта договорённость, кульминацией которой стала недавняя встреча Флавио с американским президентом в Овальном кабинете Белого дома, вызвала широкий резонанс

TL;DR
- США признали бразильские группировки PCC и CV террористическими организациями по лоббированию семьи Болсонару.
- Аналитики считают действия семьи Болсонару антипатриотичными и предательскими по отношению к суверенитету Бразилии.
- Фернандо Хаддад раскритиковал это решение, назвав его унизительным для Бразилии и создающим отношения подчинения перед США.
- Хаддад отметил, что при таком подходе США могут требовать данные Бразилии, не предоставляя информацию взамен, что ослабляет суверенитет страны.
A recente decisão do governo dos EUA de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais gerou um forte abalo na política nacional. A medida da gestão de Donald Trump ocorre na esteira de um explícito e insistente lobby promovido pela família Bolsonaro nos bastidores de Washington. Primeiramente capitaneado por Eduardo Bolsonaro e, mais recentemente, pelo senador Flávio Bolsonaro, atual pré-candidato à Presidência da República, o movimento do clã é visto por analistas como um claro e inequívoco ato antipatriótico, intervencionista e de profunda traição à soberania do Brasil.
A articulação, que culminou em uma recente reunião de Flávio com o presidente norte-americano no Salão Oval da Casa Branca, colheu uma ampla repercussão negativa no cenário nacional. O clã foi intensamente rotulado por abrir precedentes perigosos para a intromissão externa na segurança pública do país. Foi neste cenário que o ex-ministro Fernando Haddad desferiu uma resposta cirúrgica e desconcertante.
Homem público de extensa carreira, tivéssemos sido prefeito de São Paulo, ministro da Educação e da Fazenda, candidato à Presidência e despontando agora como pré-candidato ao governo paulista, Haddad é amplamente reconhecido por seu estilo polido, educado e elegante. Embora sua postura moderada por vezes irrite aliados que cobram reações mais viscerais, o petista demonstrou como a polidez pode se transformar em uma arma retórica altamente agressiva e fulminante.
Sem recorrer a insultos ou gritaria, Haddad desarmou o clã e incluiu o governador paulista Tarcísio de Freitas na mesma fatura da subserviência diplomática. Leia abaixo a manifestação na íntegra:
“Tarcísio e Flávio Bolsonaro já apoiaram o tarifaço dos EUA contra o Brasil para tentar proteger Bolsonaro. Agora, apoiam uma decisão que pretende criar uma relação de subserviência do Brasil diante dos Estados Unidos.
Quando o combate ao crime organizado é tratado como segurança pública, Brasil e EUA cooperam de igual para igual. Mas, se os EUA tratam isso como tema de segurança nacional deles, podem exigir dados do Brasil sem ter a mesma obrigação de compartilhar informações conosco. Isso enfraquece nossa soberania e atrapalha o combate ao crime.
Eu acho um escândalo o Tarcísio e o Flávio aceitarem esse tipo de hierarquia. Eles não podem ver o Trump que já começam a beijar a mão. O Lula foi lá, apertou a mão do Trump, e eles vão lá e beijam a mão do Trump. Esse tipo de atitude desmerece o país.”
Ao traçar a linha divisória entre a diplomacia altiva de apertar as mãos de igual para igual e a vassalagem de “beijar a mão” de líderes estrangeiros, Haddad expôs as contradições do falso patriotismo bolsonarista de forma elegante, porém demolidora.