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Capital Moto Week объединяет поколения и разные сцены рока в Бразилиа
Десять дней Бразилиа становится местом встречи мотоциклистов, поклонников рока и разной аудитории. В 2026 году Capital Moto Week

TL;DR
- Capital Moto Week прошел в Бразилиа, собрав 863 тысячи человек и 370 тысяч мотоциклов.
- В программе фестиваля участвовали как легенды бразильского рока (Raimundos, Tihuana, Matanza Ritual), так и международные группы, а также независимые исполнители из Бразилиа и окрестностей (Walk Again, Brega & Rosas).
- Фестиваль отмечен как место встречи разных поколений, где молодые поклонники открывают для себя рок, а давние фанаты видят обновление аудитории.
- Независимые артисты используют фестиваль как платформу для расширения своей аудитории и преодоления барьеров между андеграундной сценой и широкой публикой.
- Фестиваль также реализует социальные и инклюзивные проекты в сообществе Granja do Torto, включая образовательные программы, профессиональную подготовку и экологические инициативы.
- Организаторы подчеркивают важность культуры как элемента, объединяющего людей в поляризованном обществе, и рассматривают музыку как «термометр демократии».
- Capital Moto Week демонстрирует, что рок продолжает развиваться, а Бразилиа порождает новые группы, привлекая разную публику и разные формы понимания жанра.
Festival aproxima nomes históricos do rock nacional, atrações internacionais e artistas autorais do Distrito Federal e do Entorno, em uma programação marcada pela diversidade musical e de público
Por dez dias, Brasília se transforma em ponto de encontro para motociclistas, fãs de rock e diferentes gerações de público. Em 2026, o Capital Moto Week reuniu atrações internacionais, nomes que ajudaram a construir a história do rock brasileiro e bandas que ainda estão consolidando seus trabalhos na cena autoral do Distrito Federal e do Entorno.
Segundo a organização, 863 mil pessoas e cerca de 370 mil motocicletas passaram pela Cidade da Moto durante a edição. O número ajuda a dimensionar o tamanho alcançado pelo festival, mas a experiência dentro dos palcos revela outra característica do evento: a convivência entre diferentes momentos da música, do público que acompanha bandas há décadas aos jovens que chegam agora ao gênero.
Entre alguns dos nomes nacionais, que se apresentaram no festival, estavam Raimundos, Tihuana e Matanza Ritual, além de artistas independentes da cena local e regional, como Walk Again e Brega & Rosas. A programação também contou com atrações internacionais, ampliando o encontro de estilos e referências que marca o festival.
Um festival de gerações
Para os Raimundos, uma das bandas que mais participaram do festival, a renovação do público foi um dos aspectos mais marcantes da edição. Com mais de três décadas de trajetória, o grupo encontrou no festival fãs que acompanham a banda desde os anos 1990 e uma nova geração que chega aos shows agora.
“Hoje eu senti que a gente foi muito legal, veio pra molecada nova. Muita gente nossa, viu? Impressionante, cara, a renovação do Raimundos era uma coisa a olhos vistos”, afirmou Digão, vocalista da banda.
A relação entre diferentes gerações também aparece na própria experiência diante do palco. “Você vê criança com pai e o avô assim na frente do palco. Você viu uma senhora dançando na frente do palco. É inacreditável.”
Para o músico, ver os jovens participando das rodas e aproveitando os shows depois de tantos anos de carreira produz uma sensação de continuidade. “Cara, eu tô com 55, o Raimundos tá aí há 32 anos. Imagina, cara. Eu fiquei: meu Deus, cara. Valeu. Valeu a pena.”
A banda também associa essa renovação ao próprio crescimento do festival. Ao lembrar as primeiras participações no evento, o integrante resumiu a trajetória em uma comparação: “O festival cresceu e o Raimundos também.” Segundo ele, os dois foram “crescendo, trabalhando, fazendo”, até se encontrarem novamente em uma edição de grandes proporções.
A convivência entre gerações não fica apenas na idade do público. Ela também aparece nas referências musicais dos próprios artistas. Ao falar sobre o que os integrantes escutam fora dos palcos, o grupo citou desde bandas de punk e metal, como Dead Boys, Slayer, Sepultura e Metallica, até artistas de outras vertentes e décadas.
“Eu gosto de música boa. Pode ser pop, pode ser rock, pode ser o que for”, afirmou um dos músicos. Outro integrante resumiu sua relação com a música de maneira semelhante: “Tem dia que eu escuto blues, tem dia que eu escuto clássico, tem dia que eu escuto rock. Varia demais.”
Do underground ao palco
Enquanto bandas consolidadas reencontram antigos fãs e a nova geração, o festival também abre espaço para artistas que ainda constroem suas trajetórias.
É o caso da Walk Again, banda do Entorno do Distrito Federal que surgiu no circuito underground e trabalha com uma identidade sonora construída a partir de diferentes referências. Os integrantes explicam que, como cada músico possui influências distintas, que passam pelo metal e pelo rock clássico, a banda não procura se encaixar em um único gênero.
Entre as referências citadas está o Deftones, mas também o samba de raiz. “Queremos que o nosso som reflita essa mistura; é uma espécie de rock que dialoga com outras vertentes”, explicou um dos integrantes.
A proposta passa também por aproximar a produção independente de públicos maiores. Para a banda, existe uma potência própria na música produzida fora dos circuitos mais tradicionais.
“Queremos quebrar a barreira entre o ambiente do underground e o grande público, mostrando que a música feita na periferia tem uma força enorme e merece espaço.”
A participação no Capital Moto Week representa justamente uma oportunidade de ampliar essa circulação. “O Capital Moto Week abriu muitas portas para nós. Para uma banda que surgiu no underground, participar de um evento desse porte é uma oportunidade maravilhosa.”
Brasília como mistura de referências
A diversidade da cena também aparece em projetos que transformam a própria identidade cultural de Brasília em matéria-prima para a música.
A Brega & Rosas nasceu a partir da ideia dos amigos e fundadores de unir a estética do brega a uma sonoridade rock. A proposta acabou incorporando referências bastante diferentes, refletindo, segundo a própria banda, a diversidade cultural da capital.
“Brasília é um caldeirão cultural, aqui tem gente que veio de todos os cantos do país. O resultado não poderia ser diferente: é a fusão cultural que existe na capital.”
A banda trabalha justamente com esse encontro de referências, aproximando artistas e estilos que, à primeira vista, poderiam parecer distantes. Beatles e Fagner, Reginaldo Rossi e Alice in Chains fazem parte das possibilidades exploradas pelo grupo.
A participação no Capital Moto Week levou essa mistura para um público formado por diferentes gerações e origens. Para os integrantes, o festival representa um espaço importante para artistas locais apresentarem seus trabalhos a pessoas que vêm de outras regiões.
“Reunir diversas regionalidades, culturas e sons num mesmo festival é importante para os artistas locais e para a galera que vem de fora para tocar aqui divulgarem os trabalhos.”
A música como espaço de encontro
A diversidade do público também provoca reflexões entre os artistas sobre o papel da cultura em uma sociedade marcada por diferenças e polarização.
Para Roman Laurito, baixista do Tihuana, manter a cultura presente nesse contexto é fundamental. “Eu acho que a importância de você ter a cultura presente em uma sociedade que está polarizada é fundamental porque através da cultura você nutre a alma das pessoas, você traz vida para as pessoas, você traz informação.”
O músico também destaca a possibilidade de unir entretenimento e mensagem. Para ele, a proposta inclusiva do festival cria espaço para que a música cumpra essas duas funções. “É muito legal a gente através da música, através da arte, poder entreter as pessoas mas também levar uma mensagem positiva.”
No Matanza Ritual, a discussão aparece a partir da própria relação entre música e liberdade. Questionado sobre a capacidade do rock de manter uma dimensão crítica atualmente, um dos integrantes apontou que o desafio contemporâneo não é necessariamente encontrar espaço para falar, mas conseguir ser ouvido.
“Mais difícil do que ter ou não crítica é conseguir que as pessoas prestem atenção em basicamente qualquer coisa hoje em dia.”
O vocalista, Jimmy London, fala de uma realidade em que o entretenimento é cada vez mais rápido e a atenção do público se tornou um recurso disputado. “A verdade é que tem espaço pra fazer tudo. A gente tem até o nosso problema é outro. A gente tem excesso de espaço e vive a economia da atenção.”
Para ele, a própria existência de espaços para diferentes manifestações culturais está relacionada à liberdade. “A música é termômetro da democracia”, afirmou. A possibilidade de uma banda subir a um palco, tocar e expressar aquilo em que acredita, segundo ele, não deve ser tratada como algo garantido em todos os lugares.
“Democracia é eu poder subir nesse palco de hoje, de um lugar gigantesco, e falar as coisas que eu acredito, que podem ser uma bobagem pra outra pessoa, mas eu posso fazê-las.”
A fala não significa, para o Matanza Ritual, transformar o trabalho da banda em uma obra necessariamente política. Ao falar sobre o projeto, o integrante fez questão de delimitar essa expectativa: “Eu não tenho a pretensão de achar que eu tô fazendo uma obra que vai causar a ruptura do sistema nem nada parecido. Eu tô fazendo rock.”
O espaço para quem está chegando
A presença de artistas independentes ao lado de nomes consolidados também mostra como a cena musical se renova. Para os Raimundos, a existência de diferentes palcos pode ajudar bandas novas a encontrarem seu público.
“Eu sei que tem uma cena vindo forte aí. É só acreditar, a galera, porque espaço tá tendo. Aqui, pô, você tem vários palcos diferentes. Então é acreditar e ir pra cima.”
Esse espaço de circulação é especialmente significativo para artistas do Distrito Federal e do Entorno, que encontram no festival uma oportunidade de apresentar trabalhos autorais e releituras para um público que ultrapassa os circuitos habituais da cena local.
Na Brega & Rosas, a experiência também foi marcada pelo encontro com diferentes gerações. A banda conta que chamou atenção do público justamente por suas releituras de clássicos nacionais e internacionais e considera a participação no evento uma oportunidade de apresentar a mistura que caracteriza seu trabalho.
A Walk Again, por sua vez, vê a experiência como parte de um processo maior de aproximação entre o underground e os grandes públicos. Para os integrantes, a possibilidade de ocupar um festival desse porte reforça a ideia de que a produção independente pode encontrar novos espaços de circulação.
Cultura que permanece
O impacto cultural do festival não se restringe aos palcos. Segundo a organização, desde 2010 são desenvolvidos projetos voltados à comunidade da Granja do Torto, com iniciativas de inclusão digital, qualificação profissional, educação e sustentabilidade em parceria com organizações sociais e instituições da região.
Entre as ações estão a doação de computadores para a escola pública da Granja do Torto e projetos comunitários, cursos de capacitação, campanhas de arrecadação de alimentos e o programa Lixo Zero, voltado à gestão de resíduos e à destinação adequada de materiais recicláveis e eletroeletrônicos. De acordo com a organização, as iniciativas são mantidas ao longo do ano e procuram ampliar o impacto social do festival para além dos dias de evento.
A acessibilidade também esteve entre os destaques da edição de 2026. A estrutura contou com áreas reservadas para pessoas com deficiência, intérpretes de Libras nos principais shows, banheiros adaptados, estacionamento exclusivo, concierge de acessibilidade e equipes treinadas.
Dentro da Cidade da Moto, a programação colocou em contato artistas de trajetórias, estilos e gerações diferentes. Fora dos palcos, iniciativas sociais e de inclusão procuram ampliar o alcance do evento para além da experiência dos dez dias de festival.
No fim, o Capital Moto Week parece funcionar como um retrato de uma cena que não é formada por um único público ou por uma única forma de entender o rock. Há quem acompanhe uma banda há 30 anos, quem esteja descobrindo o gênero agora, quem chegue pela motocicleta, quem vá pela música e quem encontre nos palcos uma banda da sua própria região.
É nesse encontro que o festival manifesta uma de suas principais características culturais: reunir gerações diferentes no mesmo espaço, sem que uma precise substituir a outra. O rock continua mudando, Brasília continua produzindo novas bandas e o público continua encontrando maneiras diferentes de ocupar esses espaços.