13 Brazilian films to understand the country that goes to the polls

Fórum has compiled a list of Brazilian films produced in different eras that help interpret these issues, with stories that dialogue with the present.

13 Brazilian films to understand the country that goes to the polls

TL;DR

  • Brazilian cinema functions as a historical record, revealing inequalities and questioning power structures.
  • Films like 'A Negação do Brasil' address racial stereotypes in Brazilian telenovelas.
  • Documentaries such as 'A Última Floresta' highlight the importance of indigenous peoples in defending their territories and understanding nature.
  • Films like 'Ainda Estou Aqui' and 'Cabra Marcado para Morrer' explore state violence, memory, and struggles for justice and land.
  • Movies such as 'Bacurau' and 'O Som ao Redor' critique abandonment, inequality, colonialism, and the lingering effects of slavery.
  • Works like 'Eles Não Usam Black-Tie' and 'Ilha das Flores' examine labor rights, economic inequality, and dehumanization.
  • Films like 'Marte Um' and 'Que Horas Ela Volta?' delve into socioeconomic disparities, race, opportunities, and the dynamics between employers and employees.
  • Documentaries such as 'Apocalipse nos Trópicos' and 'O Processo' investigate the influence of evangelical leaders in politics and democratic institutional workings.
  • 'A Vida Invisível' sheds light on limitations imposed on women in a patriarchal society.

Cinema

13 filmes brasileiros para entender o país que vai às urnas

Do racismo à desigualdade social, da ditadura à influência religiosa na política, o cinema nacional ajuda a compreender as contradições e os conflitos que atravessam o Brasil

O cinema brasileiro é muito mais do que entretenimento: é também uma forma de registrar a história, revelar desigualdades e questionar as estruturas de poder. Ao longo dos anos, cineastas transformaram em imagens os conflitos que marcam o país, das heranças da escravidão às disputas em torno da democracia.

Revisitar essas obras é uma oportunidade de conhecer as experiências, as lutas e os sonhos de quem constrói o país todos os dias.

A Fórum reuniu uma lista de filmes brasileiros produzidos em diferentes épocas que ajudam a interpretar essas questões, com histórias que dialogam com o presente.

A Negação do Brasil (2000), de Joel Zito Araújo

O documentário investiga a representação de personagens negros nas telenovelas brasileiras e mostra como a televisão ajudou a reproduzir estereótipos raciais ao longo das décadas. A obra convida a refletir sobre quem tem espaço para contar histórias no país e como a cultura influencia a maneira como diferentes grupos são percebidos pela sociedade.

A Última Floresta (2021), de Luiz Bolognesi

Filmado com a participação do líder e xamã Yanomami Davi Kopenawa, o documentário apresenta a vida, os conhecimentos e a relação dos Yanomami com a floresta. Em um país marcado por conflitos territoriais e pela exploração ambiental, o filme destaca a importância dos povos indígenas na defesa de seus territórios e de outras formas de compreender a natureza.

Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles

Vencedor do Oscar de melhor filme internacional em 2025, o longa conta a história de Eunice Paiva, que enfrenta o desaparecimento do marido, o ex-deputado Rubens Paiva, durante a ditadura militar.

Ao acompanhar a luta de uma família por justiça e memória, o filme mostra como a violência de Estado deixa marcas que atravessam gerações e por que a defesa da democracia também passa pelo direito à verdade.

Apocalipse nos Trópicos (2024), de Petra Costa

O documentário examina a crescente influência de lideranças evangélicas na política brasileira e a aproximação entre religião e poder. Ao acompanhar personagens centrais desse cenário, a cineasta Petra Costa investiga como discursos religiosos entram no debate público e participam das disputas sobre os rumos da democracia.

Bacurau (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles

Em um povoado fictício do sertão nordestino, os moradores percebem que sua comunidade desapareceu dos mapas e passam a enfrentar uma ameaça violenta. Misturando faroeste, ficção científica e crítica social, o filme aborda abandono, desigualdade, colonialismo e resistência coletiva.

Sua pergunta central continua atual: quem tem o direito de decidir o destino de uma comunidade?

Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho

Inicialmente concebido como uma ficção sobre o líder camponês João Pedro Teixeira, assassinado em 1962, o projeto foi interrompido pelo golpe militar de 1964.

Anos depois, Eduardo Coutinho retomou as filmagens e reencontrou integrantes da família do trabalhador rural. O resultado é um documentário sobre luta pela terra, repressão política e memória, que recupera a história de pessoas frequentemente deixadas à margem das narrativas oficiais.

Eles Não Usam Black-Tie (1981), de Leon Hirszman

Em meio às greves operárias do ABC paulista, um jovem trabalhador decide não aderir à mobilização, contrariando o pai, um sindicalista que defende a luta coletiva. O conflito familiar expõe as tensões entre sobrevivência individual, solidariedade e direitos trabalhistas.

Lançado durante a ditadura, o filme permanece relevante para discutir a organização dos trabalhadores e os desafios enfrentados por quem depende do próprio trabalho para viver.

Ilha das Flores (1989), de Jorge Furtado

Neste curta-metragem, o percurso de um tomate revela as contradições de uma sociedade em que o dinheiro determina o acesso aos alimentos e até o que pode ser considerado digno de consumo. Com ironia e uma linguagem didática, a obra faz uma crítica contundente à desigualdade, à pobreza e à desumanização.

Mesmo décadas depois, continua sendo uma das representações mais incisivas das contradições do sistema econômico brasileiro.

Marte Um (2022), de Gabriel Martins

Ambientado na periferia de Contagem, em Minas Gerais, o filme acompanha uma família negra que tenta reorganizar a vida em meio às incertezas econômicas e às expectativas depositadas sobre cada integrante.

O caçula, Deivinho, sonha em se tornar astrofísico e participar de uma missão a Marte, enquanto enfrenta as pressões de quem espera que ele siga outro caminho. A obra mostra como classe, raça e oportunidades atravessam os projetos de futuro.

O Processo (2018), de Maria Augusta Ramos

O documentário acompanha os bastidores do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, a partir de registros de sessões, reuniões e articulações políticas. Sem recorrer a entrevistas explicativas tradicionais, a diretora deixa que os próprios acontecimentos revelem os conflitos entre os diferentes atores institucionais.

O filme é um documento importante para refletir sobre a crise política brasileira e o funcionamento das instituições democráticas.

O Som ao Redor (2012), de Kleber Mendonça Filho

A rotina de moradores de uma rua de classe média do Recife muda com a chegada de uma empresa de segurança privada. Aos poucos, o cotidiano revela relações de medo, dependência e hierarquia que remetem a desigualdades muito antigas. Com uma narrativa que privilegia os detalhes da vida urbana, o filme mostra como as heranças da escravidão e as diferenças de classe continuam presentes nas relações sociais brasileiras.

Que Horas Ela Volta? (2015), de Anna Muylaert

Val, uma empregada doméstica que trabalha há anos na casa de uma família de classe alta em São Paulo, vê sua rotina mudar quando a filha, Jéssica, chega à cidade para prestar vestibular. A presença da jovem desafia regras não escritas que organizam a relação entre patrões e empregados.

O longa discute desigualdade, trabalho doméstico, acesso à educação e mobilidade social, expondo privilégios que muitas vezes se escondem nos gestos cotidianos.

A Vida Invisível (2019), de Karim Aïnouz

No Rio de Janeiro dos anos 1950, duas irmãs são separadas por decisões familiares e passam a viver trajetórias marcadas pela ausência uma da outra. O filme revela as limitações impostas às mulheres em uma sociedade patriarcal, na qual escolhas sobre estudo, trabalho, sexualidade e maternidade eram frequentemente controladas por homens.

Ao recuperar essas experiências silenciadas, a obra ajuda a compreender como as desigualdades de gênero se reproduzem também dentro das famílias.