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Dark Horse: Флавио Болсонару использует экспертизу, заказанную Кариной Гама из GoUp, в качестве "отчета о расходах"
Ложь на протяжении почти 100 дней, с тех пор как он пообещал предоставить контракт на "Dark Horse" и "отчет о расходах от продюсерской компании здесь, в Бразилии"

TL;DR
- Флавио Болсонару обещал предоставить контракт и отчет о расходах на фильм "Dark Horse" более 100 дней назад, но до сих пор не выполнил обещание.
- Вместо этого он ссылается на заключение эксперта, заказанное компанией GoUp Entertainment, которая находится под следствием.
- Экспертиза, подписанная Анисио Коста Кастело Бранко, была предоставлена компанией Карины Гама и использована изданием Veja для подтверждения слов Болсонару.
- Документ не является заключительным и основывается только на материалах, предоставленных продюсерской компанией, а не на полном объеме следственных данных.
- В отчете не упоминаются средства, полученные НПО Instituto Conhecer Brasil, связанной с Кариной Гама, от государственных и муниципальных источников, которые также находятся под следствием.
Documento foi vazado pela polícia paulista e será compartilhada com a PF por decisão de Flávio Dino. Laudo de defesa é usado pela Veja para sustentar a mentira de Flávio Bolsonaro sobre a “prestação de contas” dos milhões de dólares dados por Daniel Vorcaro.
Senador Flávio Bolsonaro (PL) prometeu, em 19 de maio, divulgar contrato e prestação de contas da cinebiografia “Dark Horse”, mas não o fez em quase 100 dias.
Em resposta a questionamentos, ele citou um laudo pericial da GoUp Entertainment, empresa de Karina Gama, como “prestação de contas”.
O laudo, assinado por Anísio Costa Castelo Branco, foi contratado por Gama, investigada pela PF e pela polícia paulista.
A obra teria recebido US$ 24 mi de Daniel Vorcaro (Banco Master) para financiar a biografia de Jair Bolsonaro, gerando investigação em São Paulo.
Mentindo há quase 100 dias, desde que prometeu disponibilizar o contrato sobre Dark Horse e a “prestação de contas por parte da produtora aqui no Brasil”, Flávio Bolsonaro (PL) tem respondido com ironia ao ser cobrado a dar explicações sobre os 24 milhões de dólares prometidos por Daniel Vorcaro, do Banco Master, supostamente para financiar a cinebiografia do pai, Jair Bolsonaro (PL).
“Eu vi a prestação de contas no g1. Dá um Google vocês no g1. A prestação de contas tá lá na matéria do g1 dizendo que a produtora gastou mais até que recebeu de investimento [de Daniel Vorcaro]. A prestação de contas foi feita dentro da investigação que está acontecendo em São Paulo e a própria imprensa vazou”, afirmou, em tom de ironia citando o portal da Globo, ao ser indagado sobre a mentira, dita em 19 de maio, de que iria apresentar a documentação do filme em até 30 dias. Nesta quinta-feira (27), a promessa completa 100 dias.
Atuando em dobradinha com o candidato, o site da revista Veja vazou horas depois o que Flávio Bolsonaro tem declarado ser a prestação de contas.
O documento é um laudo pericial de defesa, contratado pela GoUp Entertainment Ltda, de Karina Gama, que é investigada tanto pela Polícia Federal, quanto pela polícia paulista, que recebeu o documento assinado pelo perito Anísio Costa Castelo Branco. O profissional já desmentiu, a Paulo Motoryn, que o laudo seja conclusivo.
Veja mente para embasar Flávio Bolsonaro
Na “reportagem”, a Veja busca embasar a mentira propagada pelo senador afirmando que a perícia teria concluído que DarK Horse foi produzido “sem dinheiro público e com o Havengate como o maior investidor”.
No entanto, o perito diz por diversas vezes no documento, que foi anexado à investigação da polícia paulista, comandada por Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), que analisou apenas os dados enviados pela própria produtora comandada por Karina Gama e não todo o material que faz parte da investigação da polícia paulista.
“As conclusões apresentadas limitam-se ao material examinada e destinam-se a subsidiar a atuação da defesa e das autoridades competentes, quando cabível”, diz o laudo, que foi entregue à polícia paulista em junho, cerca de um mês após o início das investigações e dentro do prazo declarado por Flávio Bolsonaro para apresentar a “prestação de contas”.
O próprio laudo desmente a reportagem da Veja, que tem atuado em dobradinha com o filho “01” de Jair Bolsonaro, que diz que “o filme foi integralmente bancado por investimentos privados”.
A perícia ressalta nas conclusões do documento de 32 páginas – sendo que quatro delas são ocupadas para descrever a “qualificação do perito responsável” -, que o trabalho foi feito “com base nos documentos, extratos bancários, contratos, planilhas financeiras, demonstrativos das despesas e demais elementos disponibilizados à perícia” pela empresa de Karina Gama.
Um detalhe importante: nenhum dos documentos que teriam sido analisados e que são citados pela perícia constam nos anexos do documento. Ou seja, não há quaisquer provas documentais sobre o que é descrito no laudo.
Mais do que Vorcaro doou
Com base na documentação enviada por Karina Gama, a perícia conclui que “somados os custos das operações no Brasil e nos Estados Unidos, o custo total de produção alcançou US$ 13.393.081,29, equivalente a aproximadamente R$ 75.182.282,80”.
Segundo o laudo, “a produção no Brasil totalizou US$ 3,728,084.66, equivalente a aproximadamente R$ 20.927.664,75. Já a operação realizada nos Estados Unidos apresentou custo de US$ 9,664,996.63, correspondente a aproximadamente R$ 54.254.618,05”. O valor referente aos EUA seria o que foi cobrado pela Go Up Entertainment LLC, que foi fundada por Karina Ferreira da Gama e Michael Brian Davis e é responsável pela produção nos EUA.
A perícia ainda aponta que O fundo Havengate destinou um aporte 13,3 milhões de dólares ao filme, montante maior do que os 10 milhões de dólares que teriam sido efetivamente enviados por Daniel Vorcaro. A informação embasa a narrativa de Flávio Bolsonaro, que tem dito “que a produtora gastou mais até que recebeu de investimento” do banqueiro.
Por fim, a perícia diz que “não identificou entradas de caixa oriundas de recursos públicos, repasses governamentais, Lei Rouanet, mecanismos de incentivo fiscal, doações, patrocínios ou captação pública de recursos relacionados ao projeto cinematográfico analisado”.
O documento, no entanto, não cita os cerca de R$ 7,7 milhões que a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), de Karina Gama, recebeu em emendas parlamentares de vereadores, deputados estaduais e federais, entre eles Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo da cinebiografia ao lado de Eduardo Bolsonaro.
A perícia, tampouco, faz referência aos R$ 108 milhões que a mesma ONG recebeu da prefeitura de São Paulo, comandada por Ricardo Nunes, para implantação de 5.000 pontos de Wi-Fi em comunidades da capital paulista, prestando um serviço inconsistente e que também é alvo de investigação.
O documento, que foi vazado integralmente para embasar a narrativa de “prestação de contas” de Flávio Bolsonaro, consta entre os dados da investigação da polícia paulista que, por ordem do ministro Flávio Dino, deverão ser compartilhadas com a Polícia Federal, que também conduz uma investigação sobre o real destino dos milhões de dólares de Daniel Vorcaro ao clã Bolsonaro – entenda como Dino acelera a investigação contra Flávio Bolsonaro, que mente há quase 100 dias sobre contrato.