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Carter Center отказывается от миссии по наблюдению за выборами в Бразилии
Carter Center отказывается от отправки миссии на выборы 2026 года в Бразилии после кризиса финансирования, усугубленного сокращениями Трампа.

TL;DR
- Carter Center не будет отправлять миссию наблюдателей на выборы в Бразилии в 2026 году.
- Причиной отказа стал кризис финансирования, вызванный политикой Дональда Трампа.
- Это решение оставляет выборы без единственной американской организации, приглашенной для наблюдения.
- В 2022 году Carter Center участвовал в наблюдении за выборами в Бразилии, помогая TSE противостоять обвинениям в адрес электронных урн.
- Сокращение финансирования USAID и перенаправление средств европейскими странами на собственную миссию ЕС также способствовали проблеме.
- Отсутствие Carter Center противоречит стремлению TSE расширить международный мониторинг выборов.
- Ожидается, что основными международными наблюдателями на выборах 2026 года станут ОАГ и Европейский Союз.
- Впервые ни одна организация из США не будет присутствовать для наблюдения за бразильскими выборами.
O Carter Center comunicou ao Tribunal Superior Eleitoral que não enviará uma missão de observação para as eleições brasileiras de outubro de 2026. A decisão, motivada por uma crise de financiamento atribuída às políticas de Donald Trump, deixa o pleito sem a única organização americana que havia sido convidada a acompanhar a disputa. A entidade já havia atuado no Brasil em 2022, quando sua presença integrou a estratégia do TSE de usar observadores internacionais para rebater o discurso bolsonarista contra as urnas eletrônicas.
O Carter Center informou ao TSE que não poderá enviar ao Brasil uma missão de observação para acompanhar as eleições de outubro de 2026. A desistência desfalca o pleito da única organização americana que havia sido convidada a acompanhar a disputa, deixando um vazio simbólico e estratégico no monitoramento internacional do processo eleitoral brasileiro.
Fundado em 1982 pelo ex-presidente Jimmy Carter e por sua esposa, Rosalynn, o Carter Center acumula mais de 100 missões de observação eleitoral em 40 países, sendo uma das entidades de maior credibilidade global na área. Sua presença em eleições disputadas ou sob suspeita costuma funcionar como um atestado de legitimidade reconhecido internacionalmente, o que tornava o convite do TSE para 2026 politicamente relevante muito além do aspecto técnico.
O Carter Center vinha tentando, há meses, reunir recursos para retornar ao Brasil em 2026. O esforço esbarrou numa crise generalizada de financiamento de agências internacionais de desenvolvimento e cooperação, cujas causas são atribuídas diretamente às políticas do governo Donald Trump. Em maio de 2025, a CEO da organização, Paige Alexander, afirmou publicamente que quase 10% do financiamento do Carter Center “evaporou subitamente” em razão dos cortes da gestão Trump na área de ajuda internacional. Segundo entrevista de Alexander ao Atlanta Journal-Constitution no final de 2025, as perdas foram estimadas em cerca de US$ 11 milhões (R$ 56,4 milhões).
O impacto não veio apenas da redução direta de recursos americanos. Fundações que historicamente apoiavam o Carter Center passaram a priorizar ações emergenciais e humanitárias, especialmente após a decisão de Trump de fechar a Usaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional). Houve ainda um obstáculo adicional: a decisão da União Europeia de organizar sua própria missão de observação no Brasil levou países europeus, que figuram entre os doadores do Carter Center, a redirecionar recursos para a iniciativa da UE. O resultado foi a impossibilidade de custear uma equipe de observação para o Brasil mesmo nos moldes enxutos da missão de 2022, composta por apenas quatro especialistas.
Nas eleições de 2022, quando Lula (PT) derrotou Jair Bolsonaro (PL), o Carter Center integrou o esforço coordenado pelo TSE para conferir respaldo internacional ao processo eleitoral. A missão durou dois meses, foi formada por quatro especialistas e cumpriu papel central na estratégia da corte eleitoral de usar entidades internacionais para rebater o discurso bolsonarista de desconfiança nas urnas eletrônicas. Naquele contexto de polarização extrema e ataques sistemáticos à credibilidade do sistema de votação, a presença de uma organização americana com décadas de experiência em democracias frágeis tinha peso político inegável.
Para 2026, o cenário de risco não diminuiu. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, tem defendido a interlocutores a necessidade de ampliar o monitoramento internacional das eleições, justamente para blindar o processo contra possíveis questionamentos aos resultados e às urnas. A ausência do Carter Center contraria essa diretriz e reduz a presença americana no monitoramento do pleito a zero, num momento em que há expectativa de ofensiva externa contra a credibilidade da eleição brasileira.
Sem o Carter Center, as eleições de 2026 devem contar com a OEA (Organização dos Estados Americanos) e a União Europeia como principais observadores internacionais. A participação da UE será inédita: é a primeira vez que a organização enviará uma missão de observação a um pleito brasileiro. A CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e a Uniore (União Interamericana de Organismos Eleitorais) também devem enviar missões. A União Africana, a Liga Árabe e o Parlasul (Parlamento do Mercosul) foram convidados pelo TSE, mas ainda não confirmaram presença.
A ausência de entidades americanas vai além do Carter Center. A Ifes (Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais), outra organização dos Estados Unidos que atuou como observadora em 2022, não foi sequer convidada pelo TSE para 2026. O motivo é sua alta dependência orçamentária da Usaid, agência que também foi duramente atingida pelos cortes de Trump. O resultado prático é que, pela primeira vez em ciclos recentes, nenhuma organização dos Estados Unidos estará presente para observar as eleições brasileiras, justamente num momento em que o TSE busca ampliar, e não reduzir, a vigilância internacional sobre o processo.