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Трамп назначает критика Верховного суда главой по отношениям с Латинской Америкой, что усиливает напряженность с Бразилией

Администрация Дональда Трампа объявила в этот понедельник (17-го) о назначении Хуана Пабло Сегуры помощником государственного секретаря по делам Западного полушария

Трамп назначает критика Верховного суда главой по отношениям с Латинской Америкой, что усиливает напряженность с Бразилией

TL;DR

  • Хуан Пабло Сегура, бизнесмен-республиканец, назначен помощником госсекретаря по делам Западного полушария, заменив Майкла Козака.
  • Сегура ранее критиковал решения Верховного суда Бразилии, в частности, штрафы для X за неисполнение судебных приказов.
  • Он поддерживает внешнеполитическую линию Трампа, направленную на борьбу с наркокартелями, обеспечение безопасности границ и противодействие влиянию Китая в регионе.
  • Назначение происходит на фоне эскалации дипломатических трений между США и Бразилией, включая взаимный отзыв виз и обвинения во вмешательстве.
  • Дипломаты считают назначение политическим, а не техническим, опасаясь усиления американского вмешательства во внутренние дела Бразилии, особенно в преддверии выборов.

O governo Donald Trump anunciou nesta segunda-feira (17) a nomeação de Juan Pablo Segura como secretário-assistente de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, cargo que concentra as relações dos EUA com o Brasil e os demais países da América Latina. Segura, empresário republicano de ascendência argentina, tomou posse em 14 de agosto, substituindo o embaixador Michael Kozak, que ocupava a função interinamente desde janeiro. A troca acontece em meio a uma escalada de atritos diplomáticos entre os governos Trump e Lula, que inclui revogação de vistos, impasse sobre embaixadores e acusações mútuas de interferência política.

A troca no comando e o perfil do novo secretário

A indicação de Segura por Trump ocorreu em abril, e seu nome passou por audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado em junho. A confirmação pelo plenário do Senado veio neste mês, junto com outros 74 nomeados do governo Trump. Antes dele, o cargo era ocupado interinamente pelo embaixador Michael Kozak, diplomata de carreira com mais de 50 anos de serviço, que conduziu a gestão da crise bilateral nos últimos meses, incluindo a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington.

O perfil de Segura contrasta com o de seu antecessor. Antes de entrar para o serviço público, ele fundou a empresa de tecnologia Babyscripts em 2014 e atuou como secretário de Comércio e Desenvolvimento Econômico da Virgínia durante a gestão do governador republicano Glenn Youngkin. É contador público certificado, formado pela Universidade de Notre Dame, e acumulou premiações ligadas ao empreendedorismo na região de Washington. Não há, em seu currículo, passagem por diplomacia ou política externa antes desta nomeação.

Ataques ao STF e a visão de Trump para a América Latina

Em fevereiro de 2025, meses antes de assumir o cargo, Segura já havia dado uma amostra de como enxerga o Brasil. Dias após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), multar o X por descumprimento de ordem judicial, ele publicou nas redes sociais: “Bloquear o acesso a informações e aplicar multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar pessoas que vivem nos Estados Unidos é incompatível com valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão.” A publicação foi comentada com emojis de apoio por Elon Musk, dono do X.

Ao tomar posse, Segura usou as redes sociais para definir sua agenda: “Junto com nossa excepcional equipe, impulsionaremos a visão do presidente Trump para que nossa região esteja a salvo dos cartéis e dos narcoterroristas, se gere prosperidade para os americanos e nossos associados e se assegurem nossas fronteiras.” No Senado, durante a audiência de confirmação, ele chamou a política de Trump para a América Latina de “ambiciosa”, citou a Doutrina Monroe como referência, apoiou o envolvimento militar dos EUA no combate ao narcotráfico e criticou o que chamou de “infiltração” da China na região. A retórica é a mesma que embasou, recentemente, a autorização da Colômbia para operações militares norte-americanas em seu território, no âmbito do chamado “Escudo das Américas”.

“Junto com nossa excepcional equipe, impulsionaremos a visão do presidente Trump para que nossa região esteja a salvo dos cartéis e dos narcoterroristas, se gere prosperidade para os americanos e nossos associados e se assegurem nossas fronteiras.”

Escalada de tensões: o cenário diplomático entre Brasil e EUA

A nomeação de Segura chega em um momento que o próprio governo brasileiro descreveu como de “escalada deliberada de medidas hostis”. Em 4 de agosto, os EUA revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, alegando demora do Brasil em conceder o aval diplomático para a nomeação de Daniel Perez como embaixador norte-americano em Brasília. A indicação de Perez gerou mal-estar no governo brasileiro porque o anúncio foi feito antes da consulta reservada às autoridades brasileiras: o pedido formal de aval chegou ao Itamaraty mais de duas semanas após a Casa Branca tornar pública a indicação, invertendo o protocolo diplomático tradicional.

Dias antes da revogação do visto, o Itamaraty havia negado vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado que viajariam ao Brasil. Segundo o The Washington Post, os dois funcionários integram uma estratégia para questionar o sistema eleitoral brasileiro, o que os EUA negam. A tensão ganhou mais uma camada em 16 de agosto, quando Sarah B. Rogers, subsecretária de Diplomacia Pública dos EUA, acusou o Brasil de “censura imposta” após o X alterar seu algoritmo para as eleições de 2026 em cumprimento a uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral. A plataforma afirmou agir em “estrito cumprimento” à determinação do TSE, mas isso não impediu a acusação norte-americana.

O que a nomeação de Segura significa para a soberania brasileira

Diplomatas avaliam que Segura segue o perfil de membros do Departamento de Estado com visão ideológica alinhada à de Marco Rubio: contrário à imigração e a governos de esquerda na América Latina. Trata-se de uma nomeação política, não técnica. O histórico de Segura confirma a leitura: um empresário republicano que, antes mesmo de ser confirmado pelo Senado, já usava suas redes para atacar decisões do Judiciário brasileiro e receber o aval público de Elon Musk.

A retórica da Doutrina Monroe e o discurso de combate a “cartéis e narcoterroristas”, repetidos por Segura desde a audiência de confirmação, funcionam como moldura ideológica para uma agenda que pode se traduzir em pressão crescente sobre governos progressistas da região. Na prática, essa linguagem já foi usada para justificar operações militares na Colômbia. Para o Brasil, o risco mais imediato é a intensificação da interferência norte-americana sobre instituições soberanas, como o STF e o TSE, em pleno ciclo eleitoral. Conforme já mostrou a Fórum, a série de atritos diplomáticos, incluindo a revogação de vistos e as acusações de censura, integra uma estratégia do governo Trump para desgastar o governo Lula e preparar o terreno para uma possível contestação dos resultados eleitorais brasileiros.