Paraguayan Master: Santiago Peña Moves to Military Prison Amid Popular Uprising Over Financial Scandal
Former Paraguayan President Santiago Peña was transferred from house arrest to the Presidential Escort Regiment, a military unit.

TL;DR
- Former Paraguayan President Santiago Peña was impeached and transferred to the Presidential Escort Regiment.
- The impeachment stemmed from his alleged involvement in the collapse of Ueno Bank, which affected millions of Paraguayans.
- Protesters demanded a closed-door prison sentence and clashed with police outside Peña's residence.
- The Ueno Bank collapsed due to a deficit in solvency, linked to loans to companies connected to its controlling group, of which Peña was formerly a shareholder.
- Vice President Pedro Alliana has been sworn in as the new president.
- Peña faces charges including abuse of trust, influence peddling, and embezzlement.
- The transfer to a military unit, rather than a common prison, was met with dissatisfaction by the public.
Preso após escândalo que bloqueou contas de milhões de paraguaios, Peña foi levado para o Regimento de Escolta Presidencial em meio a confrontos. Manifestantes jogaram ovos no comboio.
O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi transferido de sua prisão domiciliar para o Regimento de Escolta Presidencial, uma unidade militar das Forças Armadas, na noite de sexta-feira (6) para sábado (7). A mudança ocorreu depois que manifestantes cercaram sua residência em Assunção exigindo prisão em regime fechado, gerando confrontos com a polícia.
Peña havia sido destituído horas antes, com o Senado aprovando seu impeachment por unanimidade em razão de seu suposto envolvimento na quebra do Ueno Bank, instituição que bloqueou o acesso ao dinheiro de cerca de 40% da população paraguaia. O caso guarda [semelhanças com o escândalo financeiro do Banco Master](https://revistaforum.com.br/global/master-paraguaio-ueno-bank-vice-pena-itaipu/), de Daniel Vorcaro, que arrastou grande parte do bolsonarismo e da direita no Brasil.
A retirada de Peña de sua casa no bairro La Piedad, em Assunção, foi organizada pelos militares com três caminhonetes realizando o traslado, segundo o jornal digital argentino Infobae. A operação ocorreu pouco antes da meia-noite, após a escalada de tensão nas imediações da residência tornar insustentável a permanência do ex-presidente no local.
Imagens registradas pelo jornal paraguaio ABC Color mostram pessoas atirando ovos e gritando insultos contra o veículo que levava Peña durante a saída do comboio. O mesmo veículo apurou que a inteligência paraguaia identificou a infiltração de agitadores na multidão, indivíduos que já participavam de um protesto no centro da capital e teriam se deslocado até a residência com o objetivo de tornar as manifestações violentas.
Nos confrontos entre policiais e manifestantes, o comissário Pedro Barbera, chefe da 10ª Delegacia, ficou ferido no supercílio. Os presentes exigiam que Peña fosse encaminhado à Penitenciária Nacional de Tacumbú, e não mantido em prisão domiciliar.
O impeachment e a prisão domiciliar
A destituição de Peña foi consumada pelo Senado paraguaio em votação unânime. O ex-presidente havia tentado apresentar renúncia antes do julgamento, mas o pedido foi rejeitado, e o processo seguiu até a aprovação do impeachment.
Minutos após a decisão do Congresso, promotores especializados em Delitos Econômicos e Anticorrupção pediram sua prisão imediata, e o Ministério Público determinou a prisão domiciliar com base no suposto envolvimento de Peña no caso da quebra do Ueno Bank.
A medida foi apenas o primeiro passo da persecução penal. Peña foi intimado a comparecer à promotoria na manhã de sábado (7), às 11h (horário local), para sua primeira audiência formal no caso.
Nela, seria interrogado sobre supostos crimes de abuso de confiança, tráfico de influência e peculato. A rapidez com que o Ministério Público agiu após o impeachment reflete a dimensão do escândalo e a pressão política e social acumulada nos dias anteriores.
O escândalo do Ueno Bank
O estopim da crise foi o fechamento do Ueno Bank na terça-feira (3), três dias antes do impeachment. O Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição após constatar déficit em seus índices de solvência, relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao próprio grupo controlador.
O banco pertencia ao Grupo Vázquez, do qual Peña foi acionista até março do ano passado. A instituição concentrava cerca de US$ 850 milhões (aproximadamente R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social, e atendia cerca de 3 milhões de clientes, o equivalente a quase 40% da população paraguaia.
A oposição não poupou o ex-presidente. Deputados o acusaram de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central. “Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso”, afirmou a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação formal contra Peña.
Uma manifestante ouvida pela Reuters em frente à residência do ex-presidente resumiu o sentimento nas ruas: “Da noite para o dia, há pessoas passando fome, pessoas que não têm como pagar a passagem de ônibus. Por quê? Por causa de Santiago Peña e de todo o grupo Vázquez.”
A situação jurídica de Peña no Regimento de Escolta Presidencial permanece indefinida em pontos centrais. Até o momento da publicação desta matéria, não havia confirmação de que a Justiça ou a Promotoria autorizaram formalmente a mudança de local de detenção, nem foram divulgadas as condições em que o ex-presidente permanecerá na instalação militar.
A transferência para uma unidade encarregada da segurança de chefes de Estado e ex-presidentes, em vez de uma prisão comum, é um dado que a pressão popular nas ruas de Assunção já havia antecipado como insuficiente para a demanda por responsabilização.
No plano político, o Congresso paraguaio empossou o até então vice-presidente, Pedro Alliana, como novo chefe de Estado. Alliana foi poupado de um processo de impeachment na Câmara dos Deputados, o que lhe permitiu assumir a presidência em meio à crise. O Paraguai enfrenta agora o desafio de reconstruir a confiança institucional enquanto milhões de correntistas aguardam a devolução de seus recursos bloqueados e o processo penal contra Peña dá seus primeiros passos formais.