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Dark Horse открывает кризис между Ancine и Spcine после «нелегальных» съемок
Нарушение при съемках фильма вызвало кризис между Ancine и Spcine, подняв вопросы о "Dark Horse".

TL;DR
- Производство фильма «Dark Horse» вызвало кризис между Ancine и Spcine из-за несанкционированных съемок в Бразилии.
- Продюсерская компания Go Up Entertainment была оштрафована за проведение съемок без официального уведомления Ancine.
- Нарушение является серьезным, так как компания не соблюдала установленные нормы для иностранных кинопроизводств в Бразилии.
- Ancine считает съемки «незаконными» после утечки сцен фильма, включая реконструкцию нападения на Жаира Болсонару.
- Компании грозит штраф от 2000 до 100 000 реалов, ожидается максимальное наказание.
A produção do filme “[Dark Horse](https://revistaforum.com.br/tags/dark-horse/)“, que retrata a trajetória política do ex-presidente [Jair Bolsonaro](https://revistaforum.com.br/tags/jair-bolsonaro/), abriu uma crise institucional entre a [Agência Nacional do Cinema (Ancine)](https://revistaforum.com.br/tags/ancine/) e a [Spcine](https://revistaforum.com.br/tags/spcine/), empresa pública da [Prefeitura de São Paulo](https://revistaforum.com.br/tags/prefeitura-de-so-paulo/) responsável pelo fomento ao setor audiovisual. A tensão surgiu após a Ancine autuar a produtora [Go Up Entertainment](https://revistaforum.com.br/tags/go-up/) por realizar parte das gravações no Brasil sem comunicar oficialmente a agência, como determina a legislação.
Documentos sigilosos obtidos pelo **blog de Malu Gaspar** mostram que a autuação foi lavrada em 28 de julho pela **Superintendência de Fiscalização e Combate à Pirataria** da Ancine. Segundo o auto de infração, a Go Up teria “produzido no Brasil a obra cinematográfica estrangeira ‘Dark Horse’ sem comunicar o fato à Ancine”.
Irregularidade grave
A irregularidade é considerada grave por técnicos da agência, que agora também passaram a cobrar explicações da Spcine para verificar se as autoridades municipais de São Paulo tinham conhecimento das filmagens realizadas na capital paulista ou se também deixaram de ser informadas sobre a produção.Nos bastidores, a cobrança abriu um atrito entre os dois órgãos. A Ancine busca esclarecer se a Spcine acompanhou ou autorizou as gravações e se houve falha na comunicação institucional durante a realização do projeto.
Pelas normas da agência, toda produção cinematográfica estrangeira realizada em território brasileiro deve ser conduzida por uma empresa registrada na Ancine, responsável por comunicar oficialmente o início das filmagens e apresentar documentos como contrato da produção, plano de gravação e a documentação dos profissionais estrangeiros envolvidos.
Segundo a fiscalização, nenhuma dessas exigências foi cumprida pela Go Up Entertainment durante a produção de “Dark Horse”.
A notificação
Em fevereiro e março deste ano, a Superintendência de Fiscalização enviou notificações à produtora exigindo a comprovação de que a realização da obra havia sido comunicada à Ancine. Nos ofícios, o órgão ressaltou que a obrigação está prevista em instrução normativa em vigor desde 2008, que regulamenta filmagens estrangeiras realizadas no Brasil.Somente em 17 de julho, a Go Up e a distribuidora Europa Filmes encaminharam um memorando à agência informando, “de forma expressa e para fins de resposta à exigência administrativa”, que tinham conhecimento de que a obra havia sido produzida parcialmente em território brasileiro.
A Ancine considera que as gravações ocorreram de forma clandestina. Entre os fatores que pesaram na avaliação está o fato de cenas do filme terem sido rodadas em São Paulo e posteriormente vazadas nas redes sociais, incluindo a reconstituição do atentado a faca sofrido por Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018.
Multa, apenas
A autuação pode resultar em multa entre R$ 2 mil e R$ 100 mil. A decisão caberá à Superintendência de Fiscalização da Ancine, que deve concluir o processo administrativo ainda neste mês. Técnicos da agência avaliam que, diante da gravidade da infração, a tendência é a aplicação da penalidade máxima.Apesar da infração, a eventual multa não impede o lançamento de “Dark Horse” nos cinemas brasileiros. A estreia da produção depende do deferimento do pedido de Registro de Obra Estrangeira (ROE), protocolado pela distribuidora Europa Filmes em 22 de junho.
A empresa pretende realizar um lançamento de grande porte, com exibição em pelo menos 650 salas de cinema em todo o país, número semelhante ao alcançado por grandes sucessos nacionais, além da distribuição de cópias dubladas.
Além das questões regulatórias, “Dark Horse” também provocou desdobramentos políticos. O longa entrou no centro da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) após a divulgação de mensagens em que o senador aparece cobrando recursos do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para o financiamento da produção. O episódio ampliou a repercussão do filme e adicionou um componente político à investigação conduzida pela Ancine.